sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Hopes


Não te reconheço nessas palavras, meu amor . ..

Que mesmo de anos passados . ..

Que ainda que de uma noite . .. 
ou duas no mais . ..

Não se reflete sequer nesse vazio.

Apesar do mundo. De tudo. 
Não posso. Não assim.

Vou limpar o sol pra ele brilhar mais forte . ..
E me trazer o teu sorriso.

domingo, 9 de setembro de 2012

Meu samba de Tanto Tempo


Sua única chance
De ser feliz
Se afoga num mar de
Não dá

Se tanto a quer
Mas não diz
Faz com que ela se vá

Não é do meu feitio
Promessas quebrar
Mas o que me pediu
Tá ruim

Resolvemos na próxima
Meu querubim
Nessa vida,
Nós Somos
Sei lá

My mistake


Oi
O que pude
Fiz
E acho que, bem...

Bem,
Pude o que
Acho que fiz
Oi?

O que
Pude
Fiz bem
Acho...

Oi,
Eu acho que fiz tudo errado.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Morena Vem


À capa de Ogum
Ao perfume das ervas
Ao gosto do mel na garganta
Ao vento das saias

Me vou

À calidez
Das mãos
À lucidez
Do preto
À maciez
Da voz

Me dou

À tua tez
Proteção
Que Não Vês

O quão grande
É tua força
Não Crês

Silencia
Morena
E vê




quarta-feira, 1 de agosto de 2012

.G

Sobre teu peito
Eu em litros…

Num mergulho
Em bolhas
Se vai o ar
1, 2, 3…

Conta o tempo
Calma, respira
Desce lento até o fundo…

Minha piscina:
Teus olhos em dia de sol

Em dia triste
Teus olhos mudam de cor…

segunda-feira, 5 de março de 2012

Falácias

"Eu sempre disse
Que falar dos amores do passados
É uma forma de se esconder do presente
E de fugir do futuro"

Ajeitou o chapéu
Atirou um beijo para o casal de garotas
E desceu a ladeira orgulhoso
Vaidoso daquele amor antigo

Atravessou a rua para reaver os tacos de sinuca
Reparou nos neons do puteiro acima do bar e lembrou-se que o botaram num hotel de 5a
Ele, que já há muito frequentava até mesmo os melhores lugares do aeroporto,
E que nunca perdera o gosto pelos inferninhos

Se auto-intitula o "homem da reciclagem"
E desde que ganhou a eleição
Fundou uma ONG e um clube de vivissecção

As pessoas filantrópicas por vezes perdem a noção de humanidade
Mas nem por isso deixam de amá-la
Se dizia especialista em sexo tântrico
Apesar de seu caráter deveras tétrico

De fato nenhum de suas amantes pudera comprovar essa habilidade
Visto que todas as suas demonstrações limitavam-se
A golpes duros com as pontas dos dedos
Que costumavam provocar bem mais hematomas e risos
Do que transes
Ou sequer transas
Propriamente










Oceanos

Ela
Caminha com a cesta sem pensar
Tem um caso com o corrimão
O outro dorme

Abandona os vegetais
Angula-se
com o poste
Triangula
Com o copo do licor

A sombra do chapéu
O-pressiona
Contra o nariz
No brotar da neve

Todos riem
O show do piano
Galinhas ciscam
A fonte que corre

A linha do horizonte
Entedia
Os abutres
Do seu olhar oceânico

O giro da agulha
Cerzindo
O céu em botões

À espera das ondulações
O náufrago
Agarra um pedaço de madeira

Os punhos atados
O sapato
Num pé só
E o dedo no jornal
Anunciam a fuga

A cópia queimada
As roupas esfarrapadas
E as mãos dançando
No tecido

Ela
Redesenha o colarinho sem pezar
Faz pouco caso do limão
O outro insone

Incertezas

Um capote

Em lençóis

Põe o ombro no lugar

Felicidade em pequenas coisas

Não fosse a montanha interminável de papéis


Em Rê Bordosa

Um poliedro possui 10 faces e 16 arestas

E querem que eu

Saiba o seu número de vertices

O que só me serve

Para uma abordagem criativa


- Oi. Você … saberia me dizer o seu número de vértices?


Em postais

Desenhos de saudade


Em cartas

Um “Torço para que me tragam a certeza da tua volta”


Em mim

A certeza de que nada volta

Nunca

A ser como era

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Raiva

Quando a gente tá com raiva, as lágrimas pulam

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Trilha

Em trilhas de morros altos
Depois da chuva
O que mais importa
É por onde passam
As vacas
Pois sim

Onde as águas cantam
Os quero-queros
Berram

Atrás do tempo
Pés afundando em barro
São as migalhas de pão
Para lembrança
Do caminho de volta

Se vai o fôlego
De um respiro
Que preenche
As costelas
De uma fonte
Que desse
Pelas espaldas

Dessa pressa
Aprendo a labuta
De meus ascendentes

Errando-me
Ruelas medievais
Afora
Ainda que em tempos
Contemporâneos

Cansei

Consigo Contato Consigo

Em passos de tango
No salão
O acordeon
Me dá vontade de lira

Ao pátio
Todos estão
Malabares e bambolês

Em sendo bolha
Se protege o corpo

Em suspenso
Se guarda a tormenta

Toda louca em lucidez
A menor fagulha
Aguarda

Escolha
Virada


Me dê a mão

Já há 5 dias na tenda, resolvo mais um. Quero encontrar aquele lugar. Por entre águas, pode-se ver algo lá embaixo. Como se de dentro da nascente das águas de Oxum surgissem as de Iemanjá, metros e metros e litros e litros abaixo.

E a cada onde que retorna, revela um pouco. Um pouco mais.

- Se você observar bem, vai ver que é muito mais do que isso.

E a cada pouco mais de visão, mesmo à distância, revela-se toda uma civilização com construções rochosas enormes em meio à relva. Não consigo sair dali. Nem para me afastar, nem para me aproximar. Afundada em água doce, bem na nascente, sinto a revolta das correntes. Isso me assusta. Me agarro nas pedras. Quero mais.

Um outro lugar talvez. Talvez um outro tempo. Talvez um outro.

E o balanço cresce em torno de mim. Escorre de mim até os fiordes, forma a onda, esvai-se, revela os castelos de areia, e o balanço cresce em torno de mim. Quase me leva. Quase me deixo.

Não me deixo. Me agarro às pedras. Nos vincos. Ou isso, ou queda livre. Duas crianças seguem em direção contrária. Deixo-as passarem. Como conseguem? Prossigo. A queda da água forma um tunel cristalino. Encantador, porém sufocante. Preciso respirar. Fecho os olhos. Suspiro.

Uma índia enorme, com peitões caídos arrastando. Roliça como uma nona ocupa o tunel com uma destreza impressionante. Respeitei. Confesso que tenho dificuldades em passar por ali. Ela, não. Já me encarou, atravessou o espaço. Nem a vejo mais. Por onde terá saído?

Eu, preciso da escada. Onde vai dar?

- Você sabe? Me dê a mão. Vamos?

Passamos pelo quarto onde brincamos e pulamos a janela rumo ao jardim. Lá as flores são de plástico.