sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Ele sentou melancólico na nossa mesa

E perguntei:

- Mas porque tu tá tão cabisbaixo? Acabou um casamento?

- Não, não era bem isso...

- Moravam juntos?

- Não exatamente. Era uma casa de finais de semana. Durante a semana ela ficava na casa dos pais e eu na minha.

- Mas meu, o que que tu tem na cabeça para alugar um apartamento para passar apenas os finais de semana?

- É que eu sou bipolar.

(Silêncio)

(grilos)

Recebo uma mensagem no celular. E é do amigo que está sentado comigo na mesa (?!)

"- Quem é que convidou?"

(hahahaha)

Mais além, em casa, eu e meu amigo, relembramos o diálogo:

- E o que foi que ele disse mesmo?

- Ele disse algo em resposta ao que eu tinha dito.

- E o que foi que tu disse?

- Ah, algo do tipo – “procuramos pessoas pelo medo de morrer sozinhos”.

- Pouts, cara! Ah sim! Então ele baixou os olhos e disse num tom fúnebre: “Existe apenas uma forma de não morrer sozinho”.

- “Claro, quando os dois morrem juntos”, tu falou.

- Hahahahaha! Isso! E ele completou : “É. Quando você morre enquanto está trepando”. (!?)

- Daí tu discordou: “Nesse caso um dos dois morre primeiro”.

- Pois é, porque... No caso de alguém morrer trepando... quem morre vai sozinho... e quem fica está só de toda forma...

- Éééé... a não ser que ambos se matem!

- Al modóvar, El matador!

- Nesse momento lembro que ele ficou quieto... e depois de um tempo disse:

- Tem uma coisa que eu sempre quis fazer mas ainda não experimentei...

- O que, dá o cú?

- Não, não é isso. Era uma profissão...

- Ãahnnn... Ator pornô?

- Não... era um lance o que eu queria ter estudado... desde o meu primeiro vestibular..

- Sei, Filosofia...

- É... (?)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

De partida

O porro de despedida
Mareja
As estradas das minhas pupilas

O tannat roble
Manchou a minha vida
E tudo o mais que poderia

Agora que estou perdida
O que me resta 
É o café do comissário

Enquanto o pai do gurizinho da ida
Continua o mesmo da vinda
O cíclope da minha túnica
Reprova minha histeria desmedida

Agora eu sei 
Que a decisão de partir
É tão difícil 
Quanto a de ficar

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

"Viola Tricolor"

Eu 
Me contorciono a fim...
A fim de ser uma viola tricolor
Pro meu self e pro mundo
E passo longe
Na cara dura

Eu
Tentei o altruísmo
Mas estralar as cotas
E sentir prazeres inexplicáveis 
Parece sempre a solução estandarte

Eu já te
Fiz gozar 
A luz que entra pelos vitrais?

Eu já te disse 
Um milhão de coisas
Que nem eu sei
Se são mesmo verdade

Eu já te disse que 
Quando eu era pequena
Tremulava velada
Embaixo das cobertas

Eu já te disse que você
Não passa de um desconhecido?

Eu já te disse que você sabe
Nada
Sobre mim?

Eu já te disse que você sabe exatamente
O que deveria fazer
E não faz.

Eu já te disse que você sabe exatamente como
Constranger
Quem está ao seu redor?

Eu já te disse que você sabe exatamente como me
perder?

Eu já te disse que você sabe exatamente como me tocar?





quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Montanha Russa

Surpreendo-me
Quando vejo minha gangorra
Ser montanha russa

Como Dorian
Degrada-se no amor infinito
Por sua própria beleza

Eu, Fênix
Nem chego a virar cinza

domingo, 24 de outubro de 2010

Olhos nos olhos

Como ainda encontras meus olhos no meio de tanta gente?
Quantos solos e acordes até o reencontro das xícaras de chá?

O chá feito de malte
A cerveja da pele
O gosto dos dedos

Os bicos na boca

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Quanto mais, mais


Quanto mais durmo, mais tenho sono
Quanto mais bebo, mais fumo
Quanto mais me toca, mais tremo
Quanto mais vejo, mais quero
Quanto mais como, mais tesão tenho

Quanto mais me toca, mais fumo
Quanto mais bebo, mais tenho sono
Quanto mais durmo, mais tesão tenho
Quanto mais vejo, mais tremo
Quanto mais como, mais quero

Quanto mais bebo, mais tremo 
Quanto mais como, mais fumo 
Quanto mais vejo, mais tesão tenho 
Quanto mais me toca, mais quero
Quanto mais durmo, mais sonho

Quanto mais eu, mais tu

sábado, 9 de outubro de 2010

Pérolas de um sábado à tarde:


 - Como o universo foi criado?
 - Parece que houve uma explosão...antes era só uma bolinha
 - E antes disso?
 - Ã...
 - Onde estava essa bolinha? Num universo paralelo?
 - Pois é...essa é uma grande questão...
 - E Deus? Existe?
 - Depende...
 - Do que?
 - Do que cada um pensa sobre isso.
 - Hum. Mas foi ele que nos criou?
 - Ã...dizem que ele criou o homem e, então, criou a mulher.
 - Ah! Entendi ele criou a mulher com muito carinho e o homem com ódio.
 - Ué, por que?
 - Porque a mulher é linda e o homem é feio.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sonho doce

Sonho um jardim de delícias
E o vento balança 
Nossas vidas estendidas no varal

Ao passo em que as roupas dançam
Os braços azuis da tua última toalha
Envolvem a minha estampa
De onça ferida

Repleta de uma montão de coisas
Me entrego à saudade
Dos caracóis entre os dedos
Da saliva morna nos lábios doces
Das unhas roídas nos dentes quebrados

De você em mim 
Enquanto tiver que ser assim...

Bem assim

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Re-atar

Transpomos nosso desamor, pendurando os quadros tortos na parede. 
Mudamos a cama de lugar, renunciando nossa morte. 
Como virgens, nos entregamos.
Como loucos, nos desistimos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Dá-lhe Chol Chons! - meu pezinho na copa 1

Confesso que me emocionei com os Chol Chons. Aquelas caras amuadas me causaram uma ternura semelhante a do espirro. Sempre que alguém espirra, sinto um aperto no peito...

E parece que os rostos dos coreanos não causaram sentimentos só em mim. Os jogadores brasileiros também se inspiraram com os olhos puxados e resolveram limitar suas visões de jogo. Ponta direita? Ponta Esquerda? Pra que, né? O negócio é jogar a bola nas pernas dos adversários SEMPRE PELO MEIO.

Melhor dar uma esquentada na casa preparando algum congelado. Deixo a coisa lá se virando na cozinha e retorno à sala em busca de algo novo. Resisto para não beliscar a colega que dorme sentada. Afinal quem pode culpá-la em meio a tantos tá-lentos em campo? Eu é que deveria ter investido num café...

Aproveito o intervalo para checar o forno. Olha, nunca acertei a mão no bolo. Mas batumar pão de queijo pronto realmente... Enfim, uma novidade! E já que o lance por aqui é bola murcha, comê-los-ei (emos) assim mesmo.

Parece que las pelotas murchas deram suerte. Maicon e Elano dão uma acordada na galera do sofá. Até que lá vem Chol Choooon. Gente, como chora o outro atacante. Será que é por não ter sido ele o autor do gol? 

Sinceramente, me irritei. Já tenho passado noites em claro com o bebê que berra aqui no andar de cima. Me pego pensando no que é que podem estar fazendo com o pobre coitado. Aí se for entrar numas de refletir sobre a posição de uma pessoa que está jogando na copa e que vive sob um regime ditatorial vou acabar cortando os pulsos.

Se bem que, depois desse jogo, não seria uma má idéia...




sexta-feira, 11 de junho de 2010

Olha a banana!

Um baita negão vestido de escravo equilibrava livros na cabeça. E o palco era todo dele...

Num dado momento, ele tirava a roupa e substituia os livros por um cacho de bananas. Daí, embalado pela música Vendedor de Bananas, da banda Os Incríveis, sambava vertiginosamente com uma flor profundamente enfiada entre as nádegas. 

Então, ele descia do palco e distribuía as frutas ao público. E quando ele subia nas poltronas para entregar a banana para as senhoras das fileiras de trás, obrigava os rapazes que estavam sentados na frente a abaixarem-se. 

Somente assim, era possível evitar o contato com o que ele trazia no meio das pernas. E esse objeto fálico já nascera com ele...

A essas alturas a mulherada gritava enlouquecida. Não acredito que aquelas pessoas estivessem realmente refletindo sobre a  merda da nossa situação.

Ao findar o espetáculo pocket ele foi realmente muito aplaudido. E , em agradecimento, retirou a flor do cú e atirou-a à sua adorada platéia. 

Não entendi o porquê de as pessoas terem se esquivado nesse momento... Aposto que se fossem as rosas do Roberto Carlos a reação seria bastante diferente. 

Meu humor negro adora artistas que maltratam o público. 

E bota negro nisso, hein? Vamo combiná...




Bus TV

Uma distração inevitável são essa 'belezuras' que colocaram no ônibus agora. O que me parecia uma deliciosa viagem para um mergulho literário, transformou-se, então, numa luta contra a sucção magnética deste buraco negro de cultura rasa.

E lá se vão meus olhos mais uma vez contra mim. E lá se vão as vídeo-cacetadas, o  horóscopo e uns filmes em série chamados Persevera 1, 2 e 3.  Nesses documentários audiovisuais, pode-se ter acesso a cases bem sucedidos de pessoas que eram pobres e ficaram ricas. (Uau!)

E é aí que começa o show. Me pergunto: por amor, o que faz uma senhorita virtuosamente acima do peso vestir-se de biquini enquanto canta axé music? Será que está convencida de que aquele macacão zebrado de segunda pele por cima faz alguma diferença? E, ainda, como é que as acrobatas que a cercam conseguem dar saltos mortais com aquelas botas salto fino 25? Baita profissionais! 

E me vem uma sensação comparável ao que senti no Barco Viking, quando levei as crianças no parque de diversões nesse fim-de semana. Principalmente quando o motorista embala na descida. Uma mistura de euforia coletiva com 'acho que vou vomitar'. 

Mais essa agora: a Bus TV me vem com uma reportagem. (!) Depois do espetáculo da cantora acrobata rechonchuda (tem umas cenas em que ela jura ser a Marilyn em Diamonds Are a Girls Best Friends), eis que me revelam que o Sérgio REIS era componente dos Mutantes!!!!

(!?) 

Acredito que a Rita Lee muito deve ter entoado "Panelha Velha é que Faz Comida Boa" durante a Tropicália.

É. Deve ser isso...



 

Profundo Vazio

O frio e a profundidade de campo
O cigarro na janela do sul
E a fumaça no acento britânico

Retirado de um verso virtual 
Cujo caminho do meio distorce o próprio
Se o tolo busca sempre companhia
E a solidão faz o sábio

O que será de quem está só na multidão
Ou repleto tendo apenas a si mesmo?

DOMINGO

Uma mesa farta, alguns casais mais velhos, outros mais jovens, uns poucos solteiros difamados  e algumas crianças estridentes. A conversa gira em torno de futebol, religião e política. Reconheces onde estás?

Sim. É domingo.

Um velho mastiga a carne, a retira da boca e a enfia na boca do mais pequeno:
 - Ovelha com o tempero do vovô! - brada.

E todos brindam, salpicando a toalha com uvas isabel fermentadas.

Uma das senhoras traz no copo apenas água. E os gotejos dela estão mais para ofídicos que para alcoólicos. Ela senta-se no meio, mais para esquerda, onde está o seu 'garoto'. E recebe a 'outra' com sorriso torto e olhos forçadamente apertados revelando os pés de galinha. Preserva a moça de encostar o copo no de seu filho. Afinal de contas quem ela pensa que é...

Enquanto hoje o pernil de ovelha acompanhado de farofa, frutas secas e polenta serve toda família, Mariana não pôde jamais esquecer-se da orgia gastronômica com que foi recepcionada na primeira noite. O amor da sogra é diretamente proporcional ao prato da vez. Considere, pois, o bife de fígado uma verdadeira revelação edipiana. 

E quando acaba o refrigerante das crianças, adivinhem quem se oferece para buscar mais? Com o veneno escorrendo do canto boca a velha dá as direções do supermercado à sua nora e a instrui a utilizar o elevador 'bem da esquerda'. 

Retornando com as sacolas repletas de garrafas, a pobre rapariga indica o segundo andar à acsensorista. E ele estranhamente segue subindo até décimo primeiro andar inexistente. Ao questionar-se a respeito do que estava acontecendo, a porta se abriu. E ela supreendeu-se com a vista do bairro Bom Fim bem lá do alto.

Só lhe restou proferir um 'quero descer' espremido, antes que a moça acionasse uma alavanca. 

E foi, assim, catapultada lá de cima, numa incrível experiência única e derradeira de uma emoção indescritível.

 






terça-feira, 18 de maio de 2010

Um Pedestre num Dia Lindo!

A chuva insistentemente cai pra baixo, molhando meu chapéu e a minha capa Matrix. 

Poderia até ser um pleonasmo, se ela às vezes não caísse assim, meio de lado. 

E meu olhar 43 já era.

Como é chato andar pela rua nesses dias...

Abandonar o aconchego da solidão da minha casa.

Por encontrões de sombrinhas que guardam o rosto quando a água vem de frente. (Algumas tem aquele espetinho na ponta...ui!). 

E os demais têm todos a brilhante idéia de sair de carro e unirem-se ao transporte coletivo, adjetivando nossas roupas com perdigotos de lama. 

Acho que é pra variar um pouco a direção dos respingos: do cai pra baixo, meio de lado ou de frente pro cai pra cima. 

Quando a coisa aperta nos bueiros (e no pedal do acelerador), rola até uma ondinha...

Um algo assim, bem egoístico.

Só pra rimar com o vendedor simpático, que dali da esquina grita:

 - Comprovado! Comprovado! Comprovado! O guarda-chuva ajuda os casais!

(O guarda chuva ajuda os casais!?)

Prefiro ficar debaixo do meu Fedora...


sábado, 8 de maio de 2010

Uma Estranha Visita

Numa viagem far far away, em plena sexta-feira, ela recebeu um convite para um jantar mais...íntimo...

 - Tá achando que eu sou fácil?
 - Segunda, terça ou quarta?
 - Não dá pra der ser no domingo?

E assim foi. 

Depois de sua partida, nunca mais se viram. 

E foi então que...

Ele apareceu na cidade dela.  Assim. De repente. 

Ela o encontrou na rua. Precisamente no seu bairro, mais especificamente na esquina do Parque Marinha, há quatro quadras de sua casa.

Engraçado...ele nem sequer sabia onde ela morava...

Ela entrou no carro. 

 - Que fazes aqui? Como vieste tão rápido?
 - Vi seu e-mail e me programei.

Havia enviado o tal e-mail há apenas meia hora. Ele morava há, no mínimo, 18h de viagem. 

 - Já inventaram o teletransporte?
 - Pois é. Recebi tua resposta e vim...

Beijaram-se, e o dia já era noite no instante em que abriram os olhos. Decidiram ir direto ao assunto.

 - Pode seguir por essa avenida. Minha casa é na segunda à direita.

O caminho da porta ao sofá da sala lhes pareceu o suficiente para resolver a questão. E assim foi. Logo, seguiram ao andar de cima, onde estavam as demais moradoras.

Ninguém entendeu muito bem aquela 'aparição'. Mas, já que entre amigas íntimas a telepatia funciona muito bem, o assunto não foi comentado. Estranhamente, todas as gurias agiam como se o rapaz não estivesse ali. E entre gargalhadas, edredons e almofadas falavam sobre sexo com mais naturalidade do que qualquer homem jamais o poderia.

E, com uma câmera na mão, ele captava a cena. O grande quarto, com todas aquelas camas. A mulherada à vontade em suas roupas de baixo. E toda intimidade compartilhada daquele grupo de fêmeas loucas e lascivas.

Ele rebobinou a fita e dividiu as imagens digitalizadas somente com seu par, através do visor. A essas alturas ela também já estava deitada entre as demais e contava detalhes sórdidos de suas trepadas como se também o desconhecesse, fazendo acrobacias e alongando as pernas. 

Ao ver-se no vídeo, ruborizou. E a porta abriu-se. 

Eram os rapazes. 

Embora não houvessem casais na república, a regra era não levar outras pessoas. Assim, apressaram-se em sair do quarto e recorrer à lavanderia para dar tempo de pensar no que fazer. 

Quando um dos garotos anunciou que ia colocar as roupas na máquina, ela ligeiramente arrancou do varal a camiseta de um dos moradores e vestiu-a em seu convidado. E isso foi o suficiente para disfarçar a presença dele. Passaram, pois, desapercebebidos até o andar de baixo. E saíram.

Finalmente, seguiram ao boteco da esquina e tomaram a saideira.



Não pôde compreender como ele havia surgido ali.  Tão rápido...

sábado, 24 de abril de 2010

Alice no País das Maravilhas by Sissi

Nesta sexta-feira fui convidada para um chá, às 21h.  E lá vivi uma delícia. Comi e bebi o que podia ter de mais doce. E tive a oportunidade de ver a melhor de todas as Alices. Definitivamente um país de maravilhas.

Apesar do frisson que tenho tido no meu desejo de vê-la em 3D reconstruída por Tim Burton, o que já é definitivamente um sonho, minha experiência fabulosa não foi no cinema. Foi no Teatro de Câmara Túlio Piva.

Gente! A Sissi Venturin é in-crí-vel. E todas as escolhas deste espetáculo me pareceram per-fei-tas. A forma com que a personagem interage com o público, os objetos, as simbologias, as movimentações corporais, as falas… Impressionante como o palco é ocupado com tanta grandiosidade e graciosidade no vai e vem dos diálogos de Alice com os seres do seu sonho (leia-se: diálogos consigo mesma).

Após meses contando os dias no calendário para ver o Edward Mãos de Tesoura encarnando o Chapeleiro, confesso que me surpreendi mesmo foi com esta versão. Sem demérito ao cineasta, que eu amo profundamente. Mas já que essas sessões não saem mesmo da 0h10, aproveitem pra ir ao teatro (hehe).

Alice no País das Maravilhas da Cia Espaço Em Branco estará novamente em cartaz na Galeria La Photo (Travessa da Paz, 44) nas 3as feiras. É imperdível! Então, não percam.

Ai, ai…estasiei…

sábado, 10 de abril de 2010

Sacralização

Minha gangorra
Revolve-se
Sereniza
Revolta-se
Entorpece
Busca o entre

Anseia Cuba
Sorve São Paulo
Goza Porto Alegre

Depois de tudo 
Do até agora
Ora sim
Ora não
Ao talvez
Me desenlaço no quem sabe

Minha escolha são
Pés frios
Num outono consciente
Do meu peso

E do peso do outro











terça-feira, 9 de março de 2010

Conselhos de Tereza

'Faço tudo isso pra não ficar parada. Porque, se eu ficar parada, eu penso. E, se eu pensar, eu caso. E casar é uma loucura...'

Banana Springer

Trabalho em excesso dá sono e insônia. Combinação excelente pra trocar as coisas de lugar.

Assim, toda vez que a 'split' me larga em casa, sonho em comprar um 'sprinter' pra acabar com o mal estar que esse calor  me traz. 

Enquanto isso, me delicio com uma banana 'springer'...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Comida para os Ratos

Uma 
Última
Única
Gota 
Cai

E a xícara transborda por todos os lados...

O
Resto
Do queijo
Deixo
Pros ratos

Que o comam à vontade...

Todas
As minhas
Boas
Intenções
Guardo
Numa caixinha

Então
A enterro

E sigo os conselhos de Tereza.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Un Corazón Macul

Na segunda garrafa de Cusino Macul (baita nome e baita vinho!) fica difícil manter os olhos abertos. O paraíba me sugere um coice de porco (leia-se: expresso duplo curto) e só então consigo levantar-me da mesa sem titubiar.

E sempre que vou dormir tenho que ficar atenta aos olhares que me maltratam. Não aceitam nem em hipótese que eu adormeça.

Cedo a favores e concedo minha submissão. A inércia me sodomiza. A cama é o meu deleite. E as mãos ausentes, o despertar da minha vulva.

Meu peito grita, mas a voz nao sai.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A Espera

O relógio testa minha paciência. 

Espero a resposta das minhas propostas. 
O e-mail do contador, e as contas corrigidas. 

Espero a liberação do gerente (o bigode dele me lembrou o do seu Madruga e, consequentemente, o atendimento VIP do quiosque da beira da praia...ai...calor!), minha senha ser chamada, o documento ser refeito, a página ser impressa, a menina voltar do almoço. 

Espero finalmente conseguir retirar essa porra de certidão. 
E, assim, colocá-la no meio da Bíblia que segue para o Ministério por Sedex. 

Aguardo ansiosamente um OK, num jogo de vai e vem entre a Receita e o meu escritório. 
Espero não desmaiar no calor desse inferno de Dante... 


Espero o Carnaval chegar. E me guardo. 


Não sei do que já foi, nem do que virá. 
E, com isso, vivo o agora e só espero o tempo passar.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Defenestrando

Eu defenestro
As mensagens do Mickey

A certeza do Neandertal
E as tentativas de todos os outros primatas

O cansaço
A preguiça
O exílio

Defenestro
Os devaneios
As palavras ditosas
A saudade

Defenestro tudo que foi dito
E também o que não foi

Eu sou barulho
Ele é silêncio

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Psicoses

Ávido por sexo
Inventou uma paixão
Num surto psicótico
Fingiu para si uma dor que não sentia
E agora não sabe mais o que quer

Soube da história de uma amiga
Cujo namorado tinha tara por orientais
O namoro acabou
Porque ele puxou os olhos dela para o lado durante a transa

Tem também aquela velhinha
Que ficou dois dias soterrada sob escombros
E disse que ficou fazendo tricô para passar o tempo
Ficou com vergonha de aparecer na TV
Porque estava sem maquilagem

Desligou o aparelho
Viajou
Passou o dia enchendo os tubos
Escorregou na graxa que pingou da carne
E, por diversas vezes,
Tentou se levantar 
Sem sucesso

Optou por deitar-se 
Ali
E rir de si mesmo

De um Amigo com Quem me Identifico

cla?
cla  de sol?
ou de fa?
hahahah
ou apenas cla!!!!
ou clave, ou trave?
ou fá?
ou lá?
ou mi?
e se vc estivesse aqui?
ou la?
ou fa?
hahaha
enfim.....
just remeber
our nothing else

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Mañana Me Voy al Norte

Será que Darwin, quando pensou a Teoria da Evolução, considerou a combinação da chuva com a cerveja, a pizza, o refrigerante, a batata frita e a televisão?

Fiz um retiro para a praia com todo meu espírito aventureiro à flor da pele, sonhando com as trilhas ecológicas nível 2 e com o sol, mar, praia, calor. Vivi um pré-devaneio da consequente transformação de alguns tecidos adiposos em fibras musculares e da alvidez em um corpo moreno.

Buenas, o que posso dizer é que as nuvens negras me seguiram desde a fronteira e que o que pude obter foram 2 livros a mais nas gavetas da minha memória, 4 crônicas no meu currículo e 3kg acumulados na Faixa da Gaza.

Talvez o maior movimento tenha sido secar o lago que se formou no banheiro com o estouro do encanamento. E correr atrás das havaianas que saíram boiando pela casa. Se eu pudesse resumir minhas semi-férias em uma palavra, ela certamente seria ÁGUA.

* sou obrigada a relatar que enquanto eu escrevia sobre Darwin dois passarinhos caíram mortos do ninho bem do meu lado...saravá!


Frenesi

Frenesi

Bato 3 vezes. Alguém abre.

- Qual é a senha?

- Vejo morangos silvestres em campos de trigo.

Entro. Na escadaria que permite o acesso, várias pessoas estão deitadas. Outras, sentadas. Um rapaz com o nariz vermelho e roupas listradas atira beijos para uma loira com roupa cigana e peitos enormes que morde com vontade uma coxa de galinha, lambe os dedos e sorri pra ele.

Sigo. Avisto uma moça com os cabelos até a cintura. Com os olhos fechados, ela apalpa a parede do corredor. Sebe-se lá o que está procurando.

Na sala, há um show de acrobacias e dezenas de jovens estão no chão bebendo vinho e observando uma garota mover-se em torno de si. Parece que cheguei tarde. Onde estará ele...

A acrobata se aproxima de mim com o cálice e beija minha boca. Tomo o copo para mim e sigo ao jardim, onde outros tantos jogam baralho, coçam os narizes e gritam 'truco'.

Me distraio com as estrelas e, logo, retorno ao interior da casa. Penso no porquê da tristeza do pierrot e observo uma senhora envolvendo as pernas de um passante que tomba como um elefante. Ela agarra-o num frenesi.

Indiferente me dirijo ao toilet. Aí está. Empurrando um magrinho grisalho em direção à banhiera repleta de vômito. Ambos agarrados como fêmeas aos cabelos um do outro.

- Solta tu!

- Solta tu!

- Solta tu!

- Solta tu!

Brochante! Me retiro sem anunciar minha passagem. Me lanço nas escadas. Melhor é fumar um. Ele me busca, mas agora já era. Olhos de gato perdidos no meio da bichanada me acusam de jogo duplo e fico cansada dos jogos lascivos.

Recorro ao divã de um aposento e sou acordada pelos gemidos de um casal. Me recolho à minha insignificância para não interromper o ato e finjo que estou dormindo. Me masturbo. Gozo. E admiro o alto da minha bronze.