sábado, 8 de maio de 2010

Uma Estranha Visita

Numa viagem far far away, em plena sexta-feira, ela recebeu um convite para um jantar mais...íntimo...

 - Tá achando que eu sou fácil?
 - Segunda, terça ou quarta?
 - Não dá pra der ser no domingo?

E assim foi. 

Depois de sua partida, nunca mais se viram. 

E foi então que...

Ele apareceu na cidade dela.  Assim. De repente. 

Ela o encontrou na rua. Precisamente no seu bairro, mais especificamente na esquina do Parque Marinha, há quatro quadras de sua casa.

Engraçado...ele nem sequer sabia onde ela morava...

Ela entrou no carro. 

 - Que fazes aqui? Como vieste tão rápido?
 - Vi seu e-mail e me programei.

Havia enviado o tal e-mail há apenas meia hora. Ele morava há, no mínimo, 18h de viagem. 

 - Já inventaram o teletransporte?
 - Pois é. Recebi tua resposta e vim...

Beijaram-se, e o dia já era noite no instante em que abriram os olhos. Decidiram ir direto ao assunto.

 - Pode seguir por essa avenida. Minha casa é na segunda à direita.

O caminho da porta ao sofá da sala lhes pareceu o suficiente para resolver a questão. E assim foi. Logo, seguiram ao andar de cima, onde estavam as demais moradoras.

Ninguém entendeu muito bem aquela 'aparição'. Mas, já que entre amigas íntimas a telepatia funciona muito bem, o assunto não foi comentado. Estranhamente, todas as gurias agiam como se o rapaz não estivesse ali. E entre gargalhadas, edredons e almofadas falavam sobre sexo com mais naturalidade do que qualquer homem jamais o poderia.

E, com uma câmera na mão, ele captava a cena. O grande quarto, com todas aquelas camas. A mulherada à vontade em suas roupas de baixo. E toda intimidade compartilhada daquele grupo de fêmeas loucas e lascivas.

Ele rebobinou a fita e dividiu as imagens digitalizadas somente com seu par, através do visor. A essas alturas ela também já estava deitada entre as demais e contava detalhes sórdidos de suas trepadas como se também o desconhecesse, fazendo acrobacias e alongando as pernas. 

Ao ver-se no vídeo, ruborizou. E a porta abriu-se. 

Eram os rapazes. 

Embora não houvessem casais na república, a regra era não levar outras pessoas. Assim, apressaram-se em sair do quarto e recorrer à lavanderia para dar tempo de pensar no que fazer. 

Quando um dos garotos anunciou que ia colocar as roupas na máquina, ela ligeiramente arrancou do varal a camiseta de um dos moradores e vestiu-a em seu convidado. E isso foi o suficiente para disfarçar a presença dele. Passaram, pois, desapercebebidos até o andar de baixo. E saíram.

Finalmente, seguiram ao boteco da esquina e tomaram a saideira.



Não pôde compreender como ele havia surgido ali.  Tão rápido...

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