terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Trilha
Em trilhas de morros altos
Depois da chuva
O que mais importa
É por onde passam
As vacas
Pois sim
Onde as águas cantam
Os quero-queros
Berram
Atrás do tempo
Pés afundando em barro
São as migalhas de pão
Para lembrança
Do caminho de volta
Se vai o fôlego
De um respiro
Que preenche
As costelas
De uma fonte
Que desse
Pelas espaldas
Dessa pressa
Aprendo a labuta
De meus ascendentes
Errando-me
Ruelas medievais
Afora
Ainda que em tempos
Contemporâneos
Cansei
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26.12.2011
Consigo Contato Consigo
Em passos de tango
No salão
O acordeon
Me dá vontade de lira
Ao pátio
Todos estão
Malabares e bambolês
Em sendo bolha
Se protege o corpo
Em suspenso
Se guarda a tormenta
Toda louca em lucidez
A menor fagulha
Aguarda
Escolha
Virada
Marcadores:
10.01.2011
Me dê a mão
Já há 5 dias na tenda, resolvo mais um. Quero encontrar aquele lugar. Por entre águas, pode-se ver algo lá embaixo. Como se de dentro da nascente das águas de Oxum surgissem as de Iemanjá, metros e metros e litros e litros abaixo.
E a cada onde que retorna, revela um pouco. Um pouco mais.
- Se você observar bem, vai ver que é muito mais do que isso.
E a cada pouco mais de visão, mesmo à distância, revela-se toda uma civilização com construções rochosas enormes em meio à relva. Não consigo sair dali. Nem para me afastar, nem para me aproximar. Afundada em água doce, bem na nascente, sinto a revolta das correntes. Isso me assusta. Me agarro nas pedras. Quero mais.
Um outro lugar talvez. Talvez um outro tempo. Talvez um outro.
E o balanço cresce em torno de mim. Escorre de mim até os fiordes, forma a onda, esvai-se, revela os castelos de areia, e o balanço cresce em torno de mim. Quase me leva. Quase me deixo.
Não me deixo. Me agarro às pedras. Nos vincos. Ou isso, ou queda livre. Duas crianças seguem em direção contrária. Deixo-as passarem. Como conseguem? Prossigo. A queda da água forma um tunel cristalino. Encantador, porém sufocante. Preciso respirar. Fecho os olhos. Suspiro.
Uma índia enorme, com peitões caídos arrastando. Roliça como uma nona ocupa o tunel com uma destreza impressionante. Respeitei. Confesso que tenho dificuldades em passar por ali. Ela, não. Já me encarou, atravessou o espaço. Nem a vejo mais. Por onde terá saído?
Eu, preciso da escada. Onde vai dar?
- Você sabe? Me dê a mão. Vamos?
Passamos pelo quarto onde brincamos e pulamos a janela rumo ao jardim. Lá as flores são de plástico.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
A Lua Vem do Meu Olhar
Uma apresentadora de TV local me entrevista. Parece querer obter informações sigilosas sobre meu trabalho. Isso é uma reportagem ou simplesmente espionagem.? Minhas respostas entregam apenas o que todos já sabem.
Ao sair da sala, vou direto aos telefones públicos. Precisava mesmo falar com alguém. Mas quem?
Não posso entender o que provocou essa latência repentina no meu olho direito. Ao checar no espelho o porquê do incomodo, percebo minha íris esvaindo-se por uma rachadura e penso que vou ficar cega. Ou já estou?
Direto ao hospital, urgente. Preciso me internar e consertar essa "coisa". No quarto, aguardo o resultado do exame. A cama é de casal. Estranho. Mas deve ser por isso que meu amor está ali, ao meu lado, segurando minha mão.
Há quanto tempo... mais de 6 anos...nunca pensei que estaríamos assim novamente. Agora que de volta é como se nunca tivesse ido. E nisso uma vontade de amar como nunca. Fiquei com receio de que a enfermeira aparecesse. Pára tudo. Por sorte.
Lá está ela na porta. Me assusta a forma como me olha. Corre e se deita ao meu lado. Que significa isso? É o médico! Está bêbado? Está louco? Sai! Onde está então agora o meu amor?
O diagnóstico, segundo ele: meus olhos estão perfeitos. O problema é a cirrose. Alguma coisa está errada por aqui. Talvez eu esteja confundindo as coisas. Como o personagem do Campos de Carvalho que pensa estar num hotel de luxo durante toda a vida em hospício.
Mas preciso salvar minha visão. Meu olhar. Que há? Corro desesperadamente por todo hospital já então duvidando de que é mesmo um hospital. Uma senhora segura um exame. Questiono a enfermeira sobre o meu laudo. Ela nem me olha.
- Essa senhora está com câncer na próstata, veja bem. - ela diz.
- Não se preocupe, senhora. O câncer é a evolução natural da próstata. - respondo me direcionando à velha abatida.
A enfermeira apenas balança-me a cabeça. O prédio é antigo. E tem aqueles janelões. Isso me chama a atenção de repente. Faz uma noite linda lá fora. Noite de Lua Cheia.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Sábado
Sábado é dia de feira
De plantas novas
Pro Jardim
Deixar o que é bom
Tirar o ruim
É dia de flores
Na bandeja do café
Ao lado das frutas
Porque também é dia de frutas
Porque também é dia de suco misto
É dia de deitar no colo
De ler no sol
De rolar no chão
É dia de olhar
De saber onde tocar
Sábado é dia de dizer "Eu Te Amo"
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Frases 1
Frase do dia: quem quebra a coluna andando de gangorra e desloca a córnea jogando peteca não pode jogar dominó
Dias arrastados
Em dias que não se quer acordar ou banho
Sentar na janela
É remédio para a viagem a caminho
Tarde estúpida
Que começa numa audiência com o taxista maluco
E termina num carro roubado há 8 anos
Minto
Para me guardar pro sol
Esquece o auto
Vou de bici
Vou em massa
Até meus cúmplices
Para me derramar
Na música da castelhana
O amante
Desvendo-me na tua pele esgaçada de amores
E entrego toda minha doçura aos teus socos no meu estômago
Ao saírem-me as garras
Quem hei de ser?
E entrego toda minha doçura aos teus socos no meu estômago
Ao saírem-me as garras
Quem hei de ser?
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Quimeras
Essa noite
Afundei-me
Em ti
Uma vez mais
Como há muito não
Como sempre sim
Saudade
Que de tão salgada deveria ser com L
Lancinante
Lembrança
Tempo
Que me arranca os pedaços de ti
E todos os outros
Que me dividam
Eternamente contigo
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Furos - manhã seguinte
- Bom dia!
- Bom dia...
- Desculpa...vamos recapitular, qual seu nome?
- Você não lembra?
- Não.
- Y.
- Uau!
(...)
- Claro! Você não lembra?
(tchunplef!)
- Não...de onde?
- De Punta, naquele almoço.
- Ah! Sim, ficamos falando de poesia...e tinha aquele cara chato que discutiu com todo mundo...
- É...meu pai...
(tchunplef!)2
- Rãm, rãm...hã...tava lindo aquele ano novo! Divertido!
- É, mas só fiquei na praia tocando violão a noite toda...sozinho..
- Nossa! Eu também fiquei na praia!
- Tocando violão?
- É...quase isso...
(tchunplef!)3
- E..você faz o que?
- Sou artista.
- Ah é? De que tipo?
- Sou músico e poeta!
- Hum...acho que eu... vou fazer um café!
(...)
- Que idade você tem mesmo?
- 17.
- Oi?
- 17.
(...)
- Quer um café?
- Não, obrigado.
- Nescau?
Minha Fome
Pés plantados
No chão
Palavras
A passear
Dentro
Até se enfileirarem
Todas na garganta,
Do centro
Explodirão
Afora
E saberás que tenho FOME
No chão
Palavras
A passear
Dentro
Até se enfileirarem
Todas na garganta,
Do centro
Explodirão
Afora
E saberás que tenho FOME
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Nostalgia
Eu te respiro
Querendo entender
E choro as notas do piano
Nostalgia do deslizar dos dedos
Nas lúdicas teclas
Da vida em preto e branco
Querendo entender
E choro as notas do piano
Nostalgia do deslizar dos dedos
Nas lúdicas teclas
Da vida em preto e branco
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Desenhos
A noite paulistana
É
De cima
Magma
Em trânsito
Em reto todavida
Adormeço
Só sei dos ares
A saída Vik Muniz
E a chegada Burle Marx depois da chuva
Subo Devassa
Desço Bohemia
Vivo Coruja
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Isa
Ela guarda
Teus poemas
Numa pasta
Abandona os gatos
No viaduto
Convida pro café
Mas prefere cachaça
Chora a máquina
Não disfarça
Quer minha idade
Deságua
Suspira amor
Mas não sente
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Dunas
saí e quando voltei minha mesa estava soterrada pelas dunas de uma praia que eu não conhecia. alguém dormia na minha barraca e eu no meu caminho solitário por entre os grãos ao vento.sempre conduzida pelo ar.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Pílulas ordinárias
"- Onde você trabalha?
- Num canal de TV.
- É? Qual?
- Ã...Ainda não foi lançado...
- Ah! Tudo bem...eu tenho um site pornô! . . . Nossa! Como você é bonita...
(Cof, cof, cof)"
- Num canal de TV.
- É? Qual?
- Ã...Ainda não foi lançado...
- Ah! Tudo bem...eu tenho um site pornô! . . . Nossa! Como você é bonita...
(Cof, cof, cof)"
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Metamorfose
Com a massa branca
No lugar do rosto
O piercing
E o sorriso
Me faltaram
Enquanto chagas se abriram
As velhas feridas
Há muito conhecidas
Mudaram de forma
E de lado
Preferia um enxame de abelhas
Uma cara na porta
Ou certamente um acidente
Mas tenho sempre a mesma resposta estúpida para todas as perguntas
A vida repuxa
A pele
Se desfaz
Na cara ardida
A mosca
Arrancando a unhas a casca
E tentando descobrir o que a espera embaixo
No lugar do rosto
O piercing
E o sorriso
Me faltaram
Enquanto chagas se abriram
As velhas feridas
Há muito conhecidas
Mudaram de forma
E de lado
Preferia um enxame de abelhas
Uma cara na porta
Ou certamente um acidente
Mas tenho sempre a mesma resposta estúpida para todas as perguntas
A vida repuxa
A pele
Se desfaz
Na cara ardida
A mosca
Arrancando a unhas a casca
E tentando descobrir o que a espera embaixo
Destilando
De todas as rosas
Que só virão
Com a certeza
Do querer
Desdenho
Sentimentos ocultos
Caras e bocas acentudas
Em desti-
Lado Ledo
Engano
Seu
Enfurecer-se
Só porque eu finjo que não
Que só virão
Com a certeza
Do querer
Desdenho
Sentimentos ocultos
Caras e bocas acentudas
Em desti-
Lado Ledo
Engano
Seu
Enfurecer-se
Só porque eu finjo que não
terça-feira, 12 de julho de 2011
Caminhos Anti-horários
No berço
Do meu peito
Todo colorido
Que eu nego
Tem a tua voz
Gritand0 meu nome
Difícil é seguir
Fingindo que nada aconteceu
Que não atropelei
Os pés da cadeira
E caí de joelhos
Pedindo
Clemência
Que todo fel
Dos freios
Ainda que
Marcados num sorriso
Demolirá
A harmonia
Que não sei onde está Doroth
Nem quem são Lana e Dora
E que todos os relógios
Andam para trás
À tua espera
Do meu peito
Todo colorido
Que eu nego
Tem a tua voz
Gritand0 meu nome
Difícil é seguir
Fingindo que nada aconteceu
Que não atropelei
Os pés da cadeira
E caí de joelhos
Pedindo
Clemência
Que todo fel
Dos freios
Ainda que
Marcados num sorriso
Demolirá
A harmonia
Que não sei onde está Doroth
Nem quem são Lana e Dora
E que todos os relógios
Andam para trás
À tua espera
domingo, 22 de maio de 2011
Eterno Poema
Vontade
De fumar
De novo
Amarro-a
Mas ela continua ali
Idéia fixa
Um sinal de fumaça
Ao menos
Uma noite
Apenas
Desejo insolúvel
Flutuante
Cowboy no meu copo
- Baixo, por favor!
Todo arrepiado
Na minha banheira
Meu poema
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Sem Jogo
- Não acredito que você chegou a este ponto!
- Mas, qual é o problema? É tão natural!
- Ninguém é obrigado a dividir isso com você!
- Foi você quem não quis ser só uma das cartas do meu baralho!
- Impossível ser só uma carta, quando se tem poderes coringas!
- Então?
- Então: não é assim que se trata um Coringa!
- Nem mesmo em sendo Rei de Copas?
- Tá mais pra Cavaleiro de Paus!
- Puxa..assim não tem jogo...
- Não...
- Bem, o que é um peido pra quem tá casado...
- Aí é que eu me refiro!
- Mas, qual é o problema? É tão natural!
- Ninguém é obrigado a dividir isso com você!
- Foi você quem não quis ser só uma das cartas do meu baralho!
- Impossível ser só uma carta, quando se tem poderes coringas!
- Então?
- Então: não é assim que se trata um Coringa!
- Nem mesmo em sendo Rei de Copas?
- Tá mais pra Cavaleiro de Paus!
- Puxa..assim não tem jogo...
- Não...
- Bem, o que é um peido pra quem tá casado...
- Aí é que eu me refiro!
domingo, 20 de março de 2011
Velhices
Descobri porque aprecio antiguidades. A velhice me emociona.
Um senhor numa banca do Brique. Uma senhora na cadeira de rodas na saída do consultório. Um casal na porta do cinema.
Um conta que é ótimo assador, o oficial dos domingos. A outra permanece séria e cabisbaixa. Aqueles tem os braços dados, até que um deles sai e deixa um beijo no rosto.
Ele mastiga a carne para servir ao neto:
- Churrasco com tempero do vovô!
Ela é puxada mais para trás com o intuito de corrigirem-lhe a postura:
- Ai!
A outra metade retorna à fila do filme, reenlaçando-se ao marido:
- Amor, tava só noventa reais!
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
A 20 mil pés
Tudo começa com
Um mar de ovelhas desgarradas
A 20 mil pés
De distância do chão
Não me arrisco
Sempre chego
E nunca fico
Então me vou
Ainda com o gosto salgado dos olhos
No canto da boca
Uma dança louca
Em meio aos leds coloridos do teto
E o corpo de bandeja aos lobos
Enquanto o amor permanece
Um algo tão antigo
Que nem lembro mais
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Jogos
Esses tempos me disseram
Que malandragem
É sinônimo de subdesenvolvimento
Classe e elegância
Quem tem
É quem é inesperto
Eu cresci assim...
E minha sorte
Está sempre no jogo
Que malandragem
É sinônimo de subdesenvolvimento
Classe e elegância
Quem tem
É quem é inesperto
Eu cresci assim...
E minha sorte
Está sempre no jogo
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