sexta-feira, 27 de novembro de 2015

SOBRE PORQUÊS

Se eu respiro,
Fecho os olhos
E me dou com os teus
Olhos...
Façoq?...???
Se aperto com força
A ponta do edredon.
Me pergunto: pra quê?
E anseio tua mão...
Se a cada passo que dou
Pretendo a tua direção
Me pergunto: sou pra que?
Me vejo em ti
Como a vida
E te desejo
Como o mistério indecifrável do amor
E agora?
Como as nuvens se movem através, desejo que de vc surja tudo aquilo que quiseres
E te amo

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Concretudes

Quero a leveza
Do inteiramente eu

Um querer
Que não se perde
Nas faíscas pra virar matéria
Flecha que te atravessa

Mas um leito quente
Que corre e te deita nele
Aninha e acolhe teu todo
Tua verdade

Sempre
Virar a esquina
E bater com meu nariz no teu

Que a infinidade de coisas
Fosse simplesmente
Deitar nas nuvens
Ganhar sussurros
Nos ouvidos

Um som que tu me mostra
Um gozo sem adeus

SOBRE ANDAR DE FERRY NA BAHIA

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Ainda antes de chegar no Ferry

Confirme com no mínimo 4 pessoas diferentes se a van que está indo para Morro São Paulo é mesmo a sua. Com isso você evita que sua guia pergunte:

-       CVC?
-       Sim.
-       Ha ha ha
-       Ha ha ha?
(Então ela pega o rádio)
-       Qual o nome de vocês?
-       Claudio, Iara e Clarissa.
-       Sr. Iara, Sra. Clara (a guia falando para o rádio)
-       Não, Cláudio, Iara e Clarissa
-       Cláudia ... (ainda para o rádio)
-       Não, moça! Cláudio,      Iara       e      Clarissa
-       Aaaah! Achei, mas não era aqui não, vocês pegaram a van errada.
-        Huummmm

(ha             ha             ha)

Após, corrigido o trajeto...

Ao embarcar no Ferry

Não se distraia comprando óculos que não dá tempo.
Ou melhor, parece que vai dar tempo. (compra rápido que tá valendo).
Deu. Sobrou tempo.
Super sobrou tempo.
Dá licença que o moço vai até comprar um café e mandar ver uma carne fumeiro....peraí, moço (se esmagando entre você e a colega)...aaaah! abriu a portaaaaa! Aaaaah!
Se segura que soltaram a manada!...Cuidadocomochu-ru-me-dolixoquederrubarampelocaminho ... YEC, bem na minha perna! respiraaaa...
E não adianta pegar a fila pra quem tem bagagem, porque você não vai conseguir subir com a mala mesmo..

Ai, deu! Um lugar de pé, no meio dos carros, mas, ainda assim, um lugar.


No Ferry

Se estivesse de carro, pés pra cima e pra fora da janela (lógico!)

Como possivelmente ainda estará de pé e com a malas, fique longe dos cachorros, ou mais cedo ou mais tarde irá molhar os pés (e as malas)

Se molhar os pés não for motivo o suficiente para você mudar de lado, não tem problema! A galinha vai alvoroçar-se, e , por conta disso,  o dono do outro cachorro – o que morde - vai lhe pedir que se retire.

Se isso tudo acontecer, não se preocupe, você deu sorte! Imagina se você só resolvesse mudar de lugar depois que o primeiro cachorro resolvesse passar do estágio 1 pro 2.

-       Eu avisei, mãe!  Pra você vir logo pro lado de cá. Afff.

Aqui (desse lado de cá):
Se você dança,  terá uma ótima oportunidade para ensaiar seu dom para o equilíbrio
Se você bebe, também!

Maaaas, se for fotografaaaar, evite o vendedor de queijo com goiabada

-       Posso tirar uma foto?
-       Não. Melhor que você ouça!
-       Hã?
-       Ouça! Está ouvindo? Ouça a palavra de Deus, senhorita!
-       Ah! Isso, sim, estava ouvindo já...
-       Então, esquece a foto, o que vale é ficar cheeeeeeia de Deus!

(uia!) cof  cof

E não se esqueça de trazer sua bóia, seu colete salva-vidas, seu snorkel, equipamento de mergulho, bote, o que tiver... porque a proporção de bóias por pessoa é de uma para cada 60 pessoas.

Ao sair do Ferry

Segundo a guia, você deve lavar as mãos, você deve lavar as mãos, você deve lavar as mãos, você deve lavar as mãos depois de pegar o Ferry. Por isso, depois de 2h esperando uma oportunidade para esvaziar a bexiga, quando você  finalmente fizer uma parada, o turista vizinho descerá bradando:

-       Que banheiro o quê! Eu quero saber onde está a piaaaaa!


E lembre-se (sempre):

Não vá de Maria Betânia
Vá de Ivete Sangalo que é mais “ligeirinha”

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Pra que Tanto Dedo - PARTE 1


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Na sala de jantar:
- Massa à putanesca com liguiças inteiras! Eu que inventei!
-  Uau! Nossa! Achei que seria massa com sardinha. Deixa ver…hum… delícia!
- Viu? Também tenho super poderes.
-       Mas… peraí Carlos Alberto, o que é isso?
-        O que?
-       Isso? Aaaah! Um dedo!
-       Como assim, Paula Jussara?
-       Sim! Um dedo!
-       Puxa…
-       O que significa isso?
(pausa dramática)
                                                                  
       Quem -é - ela?

-       Como assim?
-       Olha aqui! Tem esmalte na unha!
-       Ah…é…
-       João Carlos, o que é que você andou comendo por aqui?
-       É, olha, vamos conversar , Paula Jussara. Veja bem, é toda noite a mesma coisa, sabe? Sempre que tentamos... A gente acende o fogo, bota a panela, prepara todos os legumes, cebola, tudo direitinho e aí… aí é sempre  a mesma coisa! Desde o seu aniversário, não conseguimos mais! No mês passado, se lembra daquele dia? Aquela operetta lhe cantando parabéns com um bolo a tiracolo…eu ali... pronto...e nada! No outro dia foi aquela trupe, todo mundo mascarado…credo! Quase me senti na cena do sacrifício … de olhos bem fechados…só me faltou a capa preta com capuz. E semana passada então? Acendemos as velas e chegaram os mariates! Mariates! O que vo-cê que-ria-que -eu-fi-zes-se? Eu sou homem porra!
-       O que foi que você disse? Você é um homem porra?
-       Eu disse que eu sou um homem  porra. O que você está dizendo? Que eu sou uma homem porra?
-       Eu não disse que você é um homem porra você que disse que era um homem porra.
-       Ah! Você está dizendo que eu não sou homem?
-       Que?
-       É isso.
-       O que?
-       Era isso que você queria.
-       O que, Carlos Alberto?
-       Me humilhar.
-       Como assim?
-       É sempre a mesma coisa. Eu cozinho, lavo, passo manteiga no seu pão  e você, você… sempre inventa alguma coisa! Uma operetta segurando um bolo, mariates, e agora um dedo!
-       Como assim, do que você está falando?
-       Do dedo?
-       Que dedo?
-       Do dedo que você está comendo!
-       Mas eu não comi nenhum dedo!
-       Então…
-       Então o que?
-->
-       Do-que –vo-cê- es-tá fa-lando?
-       Do dedo. Mas eu não comi. Ele está aqui. Ó!
-       Deixa eu ver…

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

sonhos 1

tapas na cara até doer a mão e um despertar às 7h24 podem significar alguma coisa?

Reatar

Desperto sozinho
Mas as janelas desfrutam
O prado 
Infinito no carinho 
Pois novamente ao teu lado

Enterrado nas paredes do sótão
Do antigo PC o teclado
Que revive a tua música
Permanece empoeirado 

Os recortes da nossa dor
Passamos a remontar
Em torno de um olho inquisidor
Que os idílios dos entretempos 
Se põe a observar

Esse quadro penduramos na parede
E transpomos todo desamor
Quando reenredados em nossa arte
Renunciamos nossa morte

Então, mudamos a cama de lugar...




Desejo

Saudade antiga tem cor de piscina

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Armadilhas

Eu te beijava a face
De estátua
De prata polida
Sem pele
Sem viço

Um vazio no lugar da carne
Um vazado de formas mutantes
Frestas atravessadas
Por luzes que cegavam a vista

Pedia a ti que se revelasse
Que mostrasse o rosto
Que me olhasse nos olhos
Que eu pudesse te ver por dentro
Mas dessas barras líquidas
Que carregavas acima do pescoço
Só me restava olhar os vãos

Tentei as mãos
Por um instante mãos de gente
Daquelas que afagam os cabelos
Daquelas que entrelaçam os dedos nos meus e me apertam

Mas logo . ..
Frieza

De garras metálicas
De juntas imóveis
De unhas quebradiças

Desse abismo que há
Entre a vontade e os fatos
Entre a verdade e a mentira
Entre a saudade e o alento
Só se pode pensar o pior

Sonho ou pesadelo
Que me revela
Quem sou
Que me esconde quem és...

Eu caindo em armadilhas
Uma atrás da outra
Fazendo cada um dos meus atos de boa vontade
Me sufocarem em dè ja vus

Então qualquer desejo meu de ver a beleza em todas as coisas com a ingenuidade de uma criança
É soterrado
E todas aquelas mãos que me agarram por todos os lados
Apertam meu peito até ele sangrar
E depois se esvair

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Malargüe

Nunca chegue de viagem no domingo. Tudo sempre estará fechado. No meu caso, ao chegar à capital do vinho da Argentina, não só as bodegas lojas, kioskos e padarias estavam fechados como também o estava meu sonho Aconcágua. E assim seguiu-se a situação por todo feriado de carnaval.

Por isso, decido bajar al Sur. Tentar uma ida a San Martín de Los Andes e aos 7 lagos fazendo uma pequena passagem pela terra de Las Brujas. Um adeus con una noche de rumbia, e eis que, después de uma Mendoza de wineries con botillas muy caras y de todo cerrado, brindo a Malargüe com uma  Andes.

No Eco Hostel daqui, las hojas del los álamos te sonan como el mar. A lua te brinda no entardecer num caminho desértico até La Venta de Las Violetas, onde se pode comprar queso, huevos, jamón crudo (nham)! e um suco de mistura de ervas chamado Terma (yec!).

Ahora sí, me siento en casa.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Recálculos

Passei a semana tentando tirar o chulé do único tênis que eu trouxe, mas sempre parece que tem um fundinho de tênis pé baruel impregnado. Comprei outro. E parece que o cheiro me acompanha até aqui nel micro que vá a Mendoza. Passo creme, guardo as meias. Nada.

Então precebo o casal de trás. Unido até no chulé, durante a janta e nem aí. Beleza. Tento mesmo me concentrar na lasanha de brócolis (sem sal) e o que me salva é a poltrona enorme de couro por onde me esparramo já que tive la suerte de ninguém ao meu lado. Lo que és mejor que la suerte del taxista que me dicho que en su viaje ganó la companhia de una vieja podrida. Sem mencionar, é claro, o Malbec divino que eles estão servindo no copinho de isopor enquanto assistimos um Polanski durante a viegem.

Gira o tempo e gira a roda, me duermo y me despierto com a cordilheira à minha esquerda. Desculpaí, companheiros, pero mi máquina no hace "clic", hace "tchucunclá". Delícia! A merda é que mesmo com o live display ela me desobedece no plano e agora descobri que también me desobedece no foco.

Com isso, fico sacando fotos no recálculo dos desvios que ela faz...fico nos recálculos dos desvios que vou fazer na viagem que planejei...fico nos recálculos de todos os desvios que sofri nesse ano que passou.

Eu, heroína "da laje" que, como todo anti-herói, ao ajudar a velhinha a desprender-se da porta do coletcivo, arranca-lhe um pedaço da bolsa. Assim termino essa história: segurando um pedaço de pano na mão, olhando a velhinha dar um passo atrás para o motorista fechar de novo a porta e liberar a bolsa, rasgada...

"Tchucunclá"!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

La Turista



Chego ninguém mais uma vez BSAS. E me dirijo cheia de malas pro primeiro boteco com cara de pub que avisto no caminho. Massa. Não entendo nada de como funciona o tal do auto-serviço. Sei que você paga no "cajjja" e eles "te llevan a mesa".  Merluza con pure, sim!

A malinha de rodinhas em cuja alça o tapetinho estava enrolado vai deslizando tranquilamente e se esparrama pelo chão ao redor do meu tornozelo. Na mesa do time cabelos brancos, um cavallero prontamente me recolhe o entulho.

- Gracias!

E me recolho à mesa mais próxima já começando a me incomodar com o risinho do garçon no canto da boca a cada gesto meu. "Está turista"? Então me llevaran o prato...fome! e
depois de toda difculdade pra entender o que era pure de calabaza, me trouxeram um de abóbora.Valeu! E eu que nem uma panaca 2h dizendo  "- Calabaza? No comprendo! Que és eso?".

Mas, tá, me llevaran a comida à mesa (obrigada porque eu estava carregada de tralhas), mas o talher era self service. Ah! Saquei: auto serviço. E a gaseosa. E o gelo. E o limão. Também lógico. O auto serviço vem em partes, sabe...ok

 Acabei e preciso resolver a vida, mas, não, eles não podem ficar com as minhas coisas enquanto vou ver se a galera já tá em casa. Eis que me afundei na gaseosa pra poder ir embora..e deixei o meu olhar dançar...

Foi aí que percebi uma mala pendurada no teto, acompanhada de uma calça velha que quase caía na cabeça da senhorita. Da mesa forma caía do baú a toalha de crochê por cima dos microondas. Subindo um pouco mais: as várias pantalhas tecido calcinha dos diversos lustres empoeirados...

Bellagamba, mucho gosto. Um bom começo.



sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Hopes


Não te reconheço nessas palavras, meu amor . ..

Que mesmo de anos passados . ..

Que ainda que de uma noite . .. 
ou duas no mais . ..

Não se reflete sequer nesse vazio.

Apesar do mundo. De tudo. 
Não posso. Não assim.

Vou limpar o sol pra ele brilhar mais forte . ..
E me trazer o teu sorriso.

domingo, 9 de setembro de 2012

Meu samba de Tanto Tempo


Sua única chance
De ser feliz
Se afoga num mar de
Não dá

Se tanto a quer
Mas não diz
Faz com que ela se vá

Não é do meu feitio
Promessas quebrar
Mas o que me pediu
Tá ruim

Resolvemos na próxima
Meu querubim
Nessa vida,
Nós Somos
Sei lá

My mistake


Oi
O que pude
Fiz
E acho que, bem...

Bem,
Pude o que
Acho que fiz
Oi?

O que
Pude
Fiz bem
Acho...

Oi,
Eu acho que fiz tudo errado.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Morena Vem


À capa de Ogum
Ao perfume das ervas
Ao gosto do mel na garganta
Ao vento das saias

Me vou

À calidez
Das mãos
À lucidez
Do preto
À maciez
Da voz

Me dou

À tua tez
Proteção
Que Não Vês

O quão grande
É tua força
Não Crês

Silencia
Morena
E vê




quarta-feira, 1 de agosto de 2012

.G

Sobre teu peito
Eu em litros…

Num mergulho
Em bolhas
Se vai o ar
1, 2, 3…

Conta o tempo
Calma, respira
Desce lento até o fundo…

Minha piscina:
Teus olhos em dia de sol

Em dia triste
Teus olhos mudam de cor…

segunda-feira, 5 de março de 2012

Falácias

"Eu sempre disse
Que falar dos amores do passados
É uma forma de se esconder do presente
E de fugir do futuro"

Ajeitou o chapéu
Atirou um beijo para o casal de garotas
E desceu a ladeira orgulhoso
Vaidoso daquele amor antigo

Atravessou a rua para reaver os tacos de sinuca
Reparou nos neons do puteiro acima do bar e lembrou-se que o botaram num hotel de 5a
Ele, que já há muito frequentava até mesmo os melhores lugares do aeroporto,
E que nunca perdera o gosto pelos inferninhos

Se auto-intitula o "homem da reciclagem"
E desde que ganhou a eleição
Fundou uma ONG e um clube de vivissecção

As pessoas filantrópicas por vezes perdem a noção de humanidade
Mas nem por isso deixam de amá-la
Se dizia especialista em sexo tântrico
Apesar de seu caráter deveras tétrico

De fato nenhum de suas amantes pudera comprovar essa habilidade
Visto que todas as suas demonstrações limitavam-se
A golpes duros com as pontas dos dedos
Que costumavam provocar bem mais hematomas e risos
Do que transes
Ou sequer transas
Propriamente










Oceanos

Ela
Caminha com a cesta sem pensar
Tem um caso com o corrimão
O outro dorme

Abandona os vegetais
Angula-se
com o poste
Triangula
Com o copo do licor

A sombra do chapéu
O-pressiona
Contra o nariz
No brotar da neve

Todos riem
O show do piano
Galinhas ciscam
A fonte que corre

A linha do horizonte
Entedia
Os abutres
Do seu olhar oceânico

O giro da agulha
Cerzindo
O céu em botões

À espera das ondulações
O náufrago
Agarra um pedaço de madeira

Os punhos atados
O sapato
Num pé só
E o dedo no jornal
Anunciam a fuga

A cópia queimada
As roupas esfarrapadas
E as mãos dançando
No tecido

Ela
Redesenha o colarinho sem pezar
Faz pouco caso do limão
O outro insone

Incertezas

Um capote

Em lençóis

Põe o ombro no lugar

Felicidade em pequenas coisas

Não fosse a montanha interminável de papéis


Em Rê Bordosa

Um poliedro possui 10 faces e 16 arestas

E querem que eu

Saiba o seu número de vertices

O que só me serve

Para uma abordagem criativa


- Oi. Você … saberia me dizer o seu número de vértices?


Em postais

Desenhos de saudade


Em cartas

Um “Torço para que me tragam a certeza da tua volta”


Em mim

A certeza de que nada volta

Nunca

A ser como era

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Raiva

Quando a gente tá com raiva, as lágrimas pulam

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Trilha

Em trilhas de morros altos
Depois da chuva
O que mais importa
É por onde passam
As vacas
Pois sim

Onde as águas cantam
Os quero-queros
Berram

Atrás do tempo
Pés afundando em barro
São as migalhas de pão
Para lembrança
Do caminho de volta

Se vai o fôlego
De um respiro
Que preenche
As costelas
De uma fonte
Que desse
Pelas espaldas

Dessa pressa
Aprendo a labuta
De meus ascendentes

Errando-me
Ruelas medievais
Afora
Ainda que em tempos
Contemporâneos

Cansei

Consigo Contato Consigo

Em passos de tango
No salão
O acordeon
Me dá vontade de lira

Ao pátio
Todos estão
Malabares e bambolês

Em sendo bolha
Se protege o corpo

Em suspenso
Se guarda a tormenta

Toda louca em lucidez
A menor fagulha
Aguarda

Escolha
Virada


Me dê a mão

Já há 5 dias na tenda, resolvo mais um. Quero encontrar aquele lugar. Por entre águas, pode-se ver algo lá embaixo. Como se de dentro da nascente das águas de Oxum surgissem as de Iemanjá, metros e metros e litros e litros abaixo.

E a cada onde que retorna, revela um pouco. Um pouco mais.

- Se você observar bem, vai ver que é muito mais do que isso.

E a cada pouco mais de visão, mesmo à distância, revela-se toda uma civilização com construções rochosas enormes em meio à relva. Não consigo sair dali. Nem para me afastar, nem para me aproximar. Afundada em água doce, bem na nascente, sinto a revolta das correntes. Isso me assusta. Me agarro nas pedras. Quero mais.

Um outro lugar talvez. Talvez um outro tempo. Talvez um outro.

E o balanço cresce em torno de mim. Escorre de mim até os fiordes, forma a onda, esvai-se, revela os castelos de areia, e o balanço cresce em torno de mim. Quase me leva. Quase me deixo.

Não me deixo. Me agarro às pedras. Nos vincos. Ou isso, ou queda livre. Duas crianças seguem em direção contrária. Deixo-as passarem. Como conseguem? Prossigo. A queda da água forma um tunel cristalino. Encantador, porém sufocante. Preciso respirar. Fecho os olhos. Suspiro.

Uma índia enorme, com peitões caídos arrastando. Roliça como uma nona ocupa o tunel com uma destreza impressionante. Respeitei. Confesso que tenho dificuldades em passar por ali. Ela, não. Já me encarou, atravessou o espaço. Nem a vejo mais. Por onde terá saído?

Eu, preciso da escada. Onde vai dar?

- Você sabe? Me dê a mão. Vamos?

Passamos pelo quarto onde brincamos e pulamos a janela rumo ao jardim. Lá as flores são de plástico.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Epílogo:

Se eu te soubesse desde o início
Tu desde sempre
Serias
Jamais

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A Lua Vem do Meu Olhar

Uma apresentadora de TV local me entrevista. Parece querer obter informações sigilosas sobre meu trabalho. Isso é uma reportagem ou simplesmente espionagem.? Minhas respostas entregam apenas o que todos já sabem.

Ao sair da sala, vou direto aos telefones públicos. Precisava mesmo falar com alguém. Mas quem?

Não posso entender o que provocou essa latência repentina no meu olho direito. Ao checar no espelho o porquê do incomodo, percebo minha íris esvaindo-se por uma rachadura e penso que vou ficar cega. Ou já estou?

Direto ao hospital, urgente. Preciso me internar e consertar essa "coisa". No quarto, aguardo o resultado do exame. A cama é de casal. Estranho. Mas deve ser por isso que meu amor está ali, ao meu lado, segurando minha mão.

Há quanto tempo... mais de 6 anos...nunca pensei que estaríamos assim novamente. Agora que de volta é como se nunca tivesse ido. E nisso uma vontade de amar como nunca. Fiquei com receio de que a enfermeira aparecesse. Pára tudo. Por sorte.

Lá está ela na porta. Me assusta a forma como me olha. Corre e se deita ao meu lado. Que significa isso? É o médico! Está bêbado? Está louco? Sai! Onde está então agora o meu amor?

O diagnóstico, segundo ele: meus olhos estão perfeitos. O problema é a cirrose. Alguma coisa está errada por aqui. Talvez eu esteja confundindo as coisas. Como o personagem do Campos de Carvalho que pensa estar num hotel de luxo durante toda a vida em hospício.

Mas preciso salvar minha visão. Meu olhar. Que há? Corro desesperadamente por todo hospital já então duvidando de que é mesmo um hospital. Uma senhora segura um exame. Questiono a enfermeira sobre o meu laudo. Ela nem me olha.

- Essa senhora está com câncer na próstata, veja bem. - ela diz.
- Não se preocupe, senhora. O câncer é a evolução natural da próstata. - respondo me direcionando à velha abatida.

A enfermeira apenas balança-me a cabeça. O prédio é antigo. E tem aqueles janelões. Isso me chama a atenção de repente. Faz uma noite linda lá fora. Noite de Lua Cheia.




quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Sábado

Sábado é dia de feira
De plantas novas
Pro Jardim
Deixar o que é bom
Tirar o ruim

É dia de flores
Na bandeja do café
Ao lado das frutas

Porque também é dia de frutas
Porque também é dia de suco misto

É dia de deitar no colo
De ler no sol
De rolar no chão

É dia de olhar
De saber onde tocar

Sábado é dia de dizer "Eu Te Amo"

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Frases 1

Frase do dia: quem quebra a coluna andando de gangorra e desloca a córnea jogando peteca não pode jogar dominó

Dias arrastados

Em dias que não se quer acordar ou banho
Sentar na janela
É remédio para a viagem a caminho

Tarde estúpida
Que começa numa audiência com o taxista maluco
E termina num carro roubado há 8 anos

Minto
Para me guardar pro sol
Esquece o auto
Vou de bici

Vou em massa
Até meus cúmplices
Para me derramar
Na música da castelhana

O amante

Desvendo-me na tua pele esgaçada de amores
E entrego toda minha doçura aos teus socos no meu estômago
Ao saírem-me as garras
Quem hei de ser?

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Quimeras

Essa noite
Afundei-me
Em ti
Uma vez mais

Como há muito não
Como sempre sim

Saudade
Que de tão salgada deveria ser com L

Lancinante
Lembrança

Tempo
Que me arranca os pedaços de ti

E todos os outros

Que me dividam
Eternamente contigo