Eu te beijava a face
De estátua
De prata polida
Sem pele
Sem viço
Um vazio no lugar da carne
Um vazado de formas mutantes
Frestas atravessadas
Por luzes que cegavam a vista
Pedia a ti que se revelasse
Que mostrasse o rosto
Que me olhasse nos olhos
Que eu pudesse te ver por dentro
Mas dessas barras líquidas
Que carregavas acima do pescoço
Só me restava olhar os vãos
Tentei as mãos
Por um instante mãos de gente
Daquelas que afagam os cabelos
Daquelas que entrelaçam os dedos nos meus e me apertam
Mas logo . ..
Frieza
De garras metálicas
De juntas imóveis
De unhas quebradiças
Desse abismo que há
Entre a vontade e os fatos
Entre a verdade e a mentira
Entre a saudade e o alento
Só se pode pensar o pior
Sonho ou pesadelo
Que me revela
Quem sou
Que me esconde quem és...
Eu caindo em armadilhas
Uma atrás da outra
Fazendo cada um dos meus atos de boa vontade
Me sufocarem em dè ja vus
Então qualquer desejo meu de ver a beleza em todas as coisas com a ingenuidade de uma criança
É soterrado
E todas aquelas mãos que me agarram por todos os lados
Apertam meu peito até ele sangrar
E depois se esvair
sexta-feira, 21 de junho de 2013
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Malargüe
Nunca chegue de viagem no domingo. Tudo sempre estará fechado. No meu caso, ao chegar à capital do vinho da Argentina, não só as bodegas lojas, kioskos e padarias estavam fechados como também o estava meu sonho Aconcágua. E assim seguiu-se a situação por todo feriado de carnaval.
Por isso, decido bajar al Sur. Tentar uma ida a San Martín de Los Andes e aos 7 lagos fazendo uma pequena passagem pela terra de Las Brujas. Um adeus con una noche de rumbia, e eis que, después de uma Mendoza de wineries con botillas muy caras y de todo cerrado, brindo a Malargüe com uma Andes.
No Eco Hostel daqui, las hojas del los álamos te sonan como el mar. A lua te brinda no entardecer num caminho desértico até La Venta de Las Violetas, onde se pode comprar queso, huevos, jamón crudo (nham)! e um suco de mistura de ervas chamado Terma (yec!).
Ahora sí, me siento en casa.
Por isso, decido bajar al Sur. Tentar uma ida a San Martín de Los Andes e aos 7 lagos fazendo uma pequena passagem pela terra de Las Brujas. Um adeus con una noche de rumbia, e eis que, después de uma Mendoza de wineries con botillas muy caras y de todo cerrado, brindo a Malargüe com uma Andes.
No Eco Hostel daqui, las hojas del los álamos te sonan como el mar. A lua te brinda no entardecer num caminho desértico até La Venta de Las Violetas, onde se pode comprar queso, huevos, jamón crudo (nham)! e um suco de mistura de ervas chamado Terma (yec!).
Ahora sí, me siento en casa.
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Recálculos
Passei a semana tentando tirar o chulé do único tênis que eu trouxe, mas sempre parece que tem um fundinho de tênis pé baruel impregnado. Comprei outro. E parece que o cheiro me acompanha até aqui nel micro que vá a Mendoza. Passo creme, guardo as meias. Nada.
Então precebo o casal de trás. Unido até no chulé, durante a janta e nem aí. Beleza. Tento mesmo me concentrar na lasanha de brócolis (sem sal) e o que me salva é a poltrona enorme de couro por onde me esparramo já que tive la suerte de ninguém ao meu lado. Lo que és mejor que la suerte del taxista que me dicho que en su viaje ganó la companhia de una vieja podrida. Sem mencionar, é claro, o Malbec divino que eles estão servindo no copinho de isopor enquanto assistimos um Polanski durante a viegem.
Gira o tempo e gira a roda, me duermo y me despierto com a cordilheira à minha esquerda. Desculpaí, companheiros, pero mi máquina no hace "clic", hace "tchucunclá". Delícia! A merda é que mesmo com o live display ela me desobedece no plano e agora descobri que también me desobedece no foco.
Com isso, fico sacando fotos no recálculo dos desvios que ela faz...fico nos recálculos dos desvios que vou fazer na viagem que planejei...fico nos recálculos de todos os desvios que sofri nesse ano que passou.
Eu, heroína "da laje" que, como todo anti-herói, ao ajudar a velhinha a desprender-se da porta do coletcivo, arranca-lhe um pedaço da bolsa. Assim termino essa história: segurando um pedaço de pano na mão, olhando a velhinha dar um passo atrás para o motorista fechar de novo a porta e liberar a bolsa, rasgada...
"Tchucunclá"!
Então precebo o casal de trás. Unido até no chulé, durante a janta e nem aí. Beleza. Tento mesmo me concentrar na lasanha de brócolis (sem sal) e o que me salva é a poltrona enorme de couro por onde me esparramo já que tive la suerte de ninguém ao meu lado. Lo que és mejor que la suerte del taxista que me dicho que en su viaje ganó la companhia de una vieja podrida. Sem mencionar, é claro, o Malbec divino que eles estão servindo no copinho de isopor enquanto assistimos um Polanski durante a viegem.
Gira o tempo e gira a roda, me duermo y me despierto com a cordilheira à minha esquerda. Desculpaí, companheiros, pero mi máquina no hace "clic", hace "tchucunclá". Delícia! A merda é que mesmo com o live display ela me desobedece no plano e agora descobri que también me desobedece no foco.
Com isso, fico sacando fotos no recálculo dos desvios que ela faz...fico nos recálculos dos desvios que vou fazer na viagem que planejei...fico nos recálculos de todos os desvios que sofri nesse ano que passou.
Eu, heroína "da laje" que, como todo anti-herói, ao ajudar a velhinha a desprender-se da porta do coletcivo, arranca-lhe um pedaço da bolsa. Assim termino essa história: segurando um pedaço de pano na mão, olhando a velhinha dar um passo atrás para o motorista fechar de novo a porta e liberar a bolsa, rasgada...
"Tchucunclá"!
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
La Turista
Chego ninguém mais uma vez BSAS. E me dirijo cheia de malas pro primeiro boteco com cara de pub que avisto no caminho. Massa. Não entendo nada de como funciona o tal do auto-serviço. Sei que você paga no "cajjja" e eles "te llevan a mesa". Merluza con pure, sim!
A malinha de rodinhas em cuja alça o tapetinho estava enrolado vai deslizando tranquilamente e se esparrama pelo chão ao redor do meu tornozelo. Na mesa do time cabelos brancos, um cavallero prontamente me recolhe o entulho.
- Gracias!
E me recolho à mesa mais próxima já começando a me incomodar com o risinho do garçon no canto da boca a cada gesto meu. "Está turista"? Então me llevaran o prato...fome! e
depois de toda difculdade pra entender o que era pure de calabaza, me trouxeram um de abóbora.Valeu! E eu que nem uma panaca 2h dizendo "- Calabaza? No comprendo! Que és eso?".
Mas, tá, me llevaran a comida à mesa (obrigada porque eu estava carregada de tralhas), mas o talher era self service. Ah! Saquei: auto serviço. E a gaseosa. E o gelo. E o limão. Também lógico. O auto serviço vem em partes, sabe...ok
Acabei e preciso resolver a vida, mas, não, eles não podem ficar com as minhas coisas enquanto vou ver se a galera já tá em casa. Eis que me afundei na gaseosa pra poder ir embora..e deixei o meu olhar dançar...
Foi aí que percebi uma mala pendurada no teto, acompanhada de uma calça velha que quase caía na cabeça da senhorita. Da mesa forma caía do baú a toalha de crochê por cima dos microondas. Subindo um pouco mais: as várias pantalhas tecido calcinha dos diversos lustres empoeirados...
Bellagamba, mucho gosto. Um bom começo.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Hopes
Não te
reconheço nessas palavras, meu amor . ..
Que mesmo de anos
passados . ..
Que ainda que de uma noite . ..
ou
duas no mais . ..
Não se reflete sequer nesse vazio.
Apesar do
mundo. De tudo.
Não posso. Não assim.
Vou limpar
o sol pra ele brilhar mais forte . ..
E me trazer
o teu sorriso.
domingo, 9 de setembro de 2012
Meu samba de Tanto Tempo
Sua única chance
De ser feliz
De ser feliz
Se afoga num mar de
Não dá
Se tanto a quer
Mas não diz
Faz com que ela se vá
Não é do meu feitio
Promessas quebrar
Mas o que me pediu
Tá ruim
Resolvemos na próxima
Meu querubim
Nessa vida,
Nós Somos
Sei lá
Sei lá
My mistake
Oi
O que pude
Fiz
E acho que, bem...
Bem,
Pude o que
Acho que fiz
Oi?
O que
Pude
Fiz bem
Acho...
Oi,
Eu acho que fiz tudo errado.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Morena Vem
À capa de
Ogum
Ao perfume
das ervas
Ao gosto do
mel na garganta
Ao vento das
saias
Me vou
À calidez
Das mãos
À lucidez
Do preto
À maciez
Da voz
Me dou
À tua tez
Proteção
Que Não Vês
O quão
grande
É tua força
Não Crês
Silencia
Morena
E vê
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
.G
Sobre teu peito
Eu em litros…
Num mergulho
Em bolhas
Se vai o ar
1, 2, 3…
Conta o tempo
Calma, respira
Desce lento até o fundo…
Minha piscina:
Teus olhos em dia de sol
Em dia triste
Teus olhos mudam de cor…
Teus olhos mudam de cor…
segunda-feira, 5 de março de 2012
Falácias
"Eu sempre disse
Que falar dos amores do passados
É uma forma de se esconder do presente
E de fugir do futuro"
Ajeitou o chapéu
Atirou um beijo para o casal de garotas
E desceu a ladeira orgulhoso
Vaidoso daquele amor antigo
Atravessou a rua para reaver os tacos de sinuca
Reparou nos neons do puteiro acima do bar e lembrou-se que o botaram num hotel de 5a
Ele, que já há muito frequentava até mesmo os melhores lugares do aeroporto,
E que nunca perdera o gosto pelos inferninhos
Se auto-intitula o "homem da reciclagem"
E desde que ganhou a eleição
Fundou uma ONG e um clube de vivissecção
As pessoas filantrópicas por vezes perdem a noção de humanidade
Mas nem por isso deixam de amá-la
Se dizia especialista em sexo tântrico
Apesar de seu caráter deveras tétrico
De fato nenhum de suas amantes pudera comprovar essa habilidade
Visto que todas as suas demonstrações limitavam-se
A golpes duros com as pontas dos dedos
Que costumavam provocar bem mais hematomas e risos
Do que transes
Ou sequer transas
Propriamente
Oceanos
Ela
Caminha com a cesta sem pensar
Tem um caso com o corrimão
O outro dorme
Abandona os vegetais
Angula-se
com o poste
Triangula
Com o copo do licor
A sombra do chapéu
O-pressiona
Contra o nariz
No brotar da neve
Todos riem
O show do piano
Galinhas ciscam
A fonte que corre
A linha do horizonte
Entedia
Os abutres
Do seu olhar oceânico
O giro da agulha
Cerzindo
O céu em botões
À espera das ondulações
O náufrago
Agarra um pedaço de madeira
Os punhos atados
O sapato
Num pé só
E o dedo no jornal
Anunciam a fuga
A cópia queimada
As roupas esfarrapadas
E as mãos dançando
No tecido
Ela
Redesenha o colarinho sem pezar
Faz pouco caso do limão
O outro insone
Incertezas
Um capote
Em lençóis
Põe o ombro no lugar
Felicidade em pequenas coisas
Não fosse a montanha interminável de papéis
Em Rê Bordosa
Um poliedro possui 10 faces e 16 arestas
E querem que eu
Saiba o seu número de vertices
O que só me serve
Para uma abordagem criativa
- Oi. Você … saberia me dizer o seu número de vértices?
Em postais
Desenhos de saudade
Em cartas
Um “Torço para que me tragam a certeza da tua volta”
Em mim
A certeza de que nada volta
Nunca
A ser como era
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Trilha
Em trilhas de morros altos
Depois da chuva
O que mais importa
É por onde passam
As vacas
Pois sim
Onde as águas cantam
Os quero-queros
Berram
Atrás do tempo
Pés afundando em barro
São as migalhas de pão
Para lembrança
Do caminho de volta
Se vai o fôlego
De um respiro
Que preenche
As costelas
De uma fonte
Que desse
Pelas espaldas
Dessa pressa
Aprendo a labuta
De meus ascendentes
Errando-me
Ruelas medievais
Afora
Ainda que em tempos
Contemporâneos
Cansei
Consigo Contato Consigo
Em passos de tango
No salão
O acordeon
Me dá vontade de lira
Ao pátio
Todos estão
Malabares e bambolês
Em sendo bolha
Se protege o corpo
Em suspenso
Se guarda a tormenta
Toda louca em lucidez
A menor fagulha
Aguarda
Escolha
Virada
Me dê a mão
Já há 5 dias na tenda, resolvo mais um. Quero encontrar aquele lugar. Por entre águas, pode-se ver algo lá embaixo. Como se de dentro da nascente das águas de Oxum surgissem as de Iemanjá, metros e metros e litros e litros abaixo.
E a cada onde que retorna, revela um pouco. Um pouco mais.
- Se você observar bem, vai ver que é muito mais do que isso.
E a cada pouco mais de visão, mesmo à distância, revela-se toda uma civilização com construções rochosas enormes em meio à relva. Não consigo sair dali. Nem para me afastar, nem para me aproximar. Afundada em água doce, bem na nascente, sinto a revolta das correntes. Isso me assusta. Me agarro nas pedras. Quero mais.
Um outro lugar talvez. Talvez um outro tempo. Talvez um outro.
E o balanço cresce em torno de mim. Escorre de mim até os fiordes, forma a onda, esvai-se, revela os castelos de areia, e o balanço cresce em torno de mim. Quase me leva. Quase me deixo.
Não me deixo. Me agarro às pedras. Nos vincos. Ou isso, ou queda livre. Duas crianças seguem em direção contrária. Deixo-as passarem. Como conseguem? Prossigo. A queda da água forma um tunel cristalino. Encantador, porém sufocante. Preciso respirar. Fecho os olhos. Suspiro.
Uma índia enorme, com peitões caídos arrastando. Roliça como uma nona ocupa o tunel com uma destreza impressionante. Respeitei. Confesso que tenho dificuldades em passar por ali. Ela, não. Já me encarou, atravessou o espaço. Nem a vejo mais. Por onde terá saído?
Eu, preciso da escada. Onde vai dar?
- Você sabe? Me dê a mão. Vamos?
Passamos pelo quarto onde brincamos e pulamos a janela rumo ao jardim. Lá as flores são de plástico.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
A Lua Vem do Meu Olhar
Uma apresentadora de TV local me entrevista. Parece querer obter informações sigilosas sobre meu trabalho. Isso é uma reportagem ou simplesmente espionagem.? Minhas respostas entregam apenas o que todos já sabem.
Ao sair da sala, vou direto aos telefones públicos. Precisava mesmo falar com alguém. Mas quem?
Não posso entender o que provocou essa latência repentina no meu olho direito. Ao checar no espelho o porquê do incomodo, percebo minha íris esvaindo-se por uma rachadura e penso que vou ficar cega. Ou já estou?
Direto ao hospital, urgente. Preciso me internar e consertar essa "coisa". No quarto, aguardo o resultado do exame. A cama é de casal. Estranho. Mas deve ser por isso que meu amor está ali, ao meu lado, segurando minha mão.
Há quanto tempo... mais de 6 anos...nunca pensei que estaríamos assim novamente. Agora que de volta é como se nunca tivesse ido. E nisso uma vontade de amar como nunca. Fiquei com receio de que a enfermeira aparecesse. Pára tudo. Por sorte.
Lá está ela na porta. Me assusta a forma como me olha. Corre e se deita ao meu lado. Que significa isso? É o médico! Está bêbado? Está louco? Sai! Onde está então agora o meu amor?
O diagnóstico, segundo ele: meus olhos estão perfeitos. O problema é a cirrose. Alguma coisa está errada por aqui. Talvez eu esteja confundindo as coisas. Como o personagem do Campos de Carvalho que pensa estar num hotel de luxo durante toda a vida em hospício.
Mas preciso salvar minha visão. Meu olhar. Que há? Corro desesperadamente por todo hospital já então duvidando de que é mesmo um hospital. Uma senhora segura um exame. Questiono a enfermeira sobre o meu laudo. Ela nem me olha.
- Essa senhora está com câncer na próstata, veja bem. - ela diz.
- Não se preocupe, senhora. O câncer é a evolução natural da próstata. - respondo me direcionando à velha abatida.
A enfermeira apenas balança-me a cabeça. O prédio é antigo. E tem aqueles janelões. Isso me chama a atenção de repente. Faz uma noite linda lá fora. Noite de Lua Cheia.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Sábado
Sábado é dia de feira
De plantas novas
Pro Jardim
Deixar o que é bom
Tirar o ruim
É dia de flores
Na bandeja do café
Ao lado das frutas
Porque também é dia de frutas
Porque também é dia de suco misto
É dia de deitar no colo
De ler no sol
De rolar no chão
É dia de olhar
De saber onde tocar
Sábado é dia de dizer "Eu Te Amo"
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Frases 1
Frase do dia: quem quebra a coluna andando de gangorra e desloca a córnea jogando peteca não pode jogar dominó
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