terça-feira, 9 de março de 2010

Conselhos de Tereza

'Faço tudo isso pra não ficar parada. Porque, se eu ficar parada, eu penso. E, se eu pensar, eu caso. E casar é uma loucura...'

Banana Springer

Trabalho em excesso dá sono e insônia. Combinação excelente pra trocar as coisas de lugar.

Assim, toda vez que a 'split' me larga em casa, sonho em comprar um 'sprinter' pra acabar com o mal estar que esse calor  me traz. 

Enquanto isso, me delicio com uma banana 'springer'...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Comida para os Ratos

Uma 
Última
Única
Gota 
Cai

E a xícara transborda por todos os lados...

O
Resto
Do queijo
Deixo
Pros ratos

Que o comam à vontade...

Todas
As minhas
Boas
Intenções
Guardo
Numa caixinha

Então
A enterro

E sigo os conselhos de Tereza.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Un Corazón Macul

Na segunda garrafa de Cusino Macul (baita nome e baita vinho!) fica difícil manter os olhos abertos. O paraíba me sugere um coice de porco (leia-se: expresso duplo curto) e só então consigo levantar-me da mesa sem titubiar.

E sempre que vou dormir tenho que ficar atenta aos olhares que me maltratam. Não aceitam nem em hipótese que eu adormeça.

Cedo a favores e concedo minha submissão. A inércia me sodomiza. A cama é o meu deleite. E as mãos ausentes, o despertar da minha vulva.

Meu peito grita, mas a voz nao sai.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A Espera

O relógio testa minha paciência. 

Espero a resposta das minhas propostas. 
O e-mail do contador, e as contas corrigidas. 

Espero a liberação do gerente (o bigode dele me lembrou o do seu Madruga e, consequentemente, o atendimento VIP do quiosque da beira da praia...ai...calor!), minha senha ser chamada, o documento ser refeito, a página ser impressa, a menina voltar do almoço. 

Espero finalmente conseguir retirar essa porra de certidão. 
E, assim, colocá-la no meio da Bíblia que segue para o Ministério por Sedex. 

Aguardo ansiosamente um OK, num jogo de vai e vem entre a Receita e o meu escritório. 
Espero não desmaiar no calor desse inferno de Dante... 


Espero o Carnaval chegar. E me guardo. 


Não sei do que já foi, nem do que virá. 
E, com isso, vivo o agora e só espero o tempo passar.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Defenestrando

Eu defenestro
As mensagens do Mickey

A certeza do Neandertal
E as tentativas de todos os outros primatas

O cansaço
A preguiça
O exílio

Defenestro
Os devaneios
As palavras ditosas
A saudade

Defenestro tudo que foi dito
E também o que não foi

Eu sou barulho
Ele é silêncio

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Psicoses

Ávido por sexo
Inventou uma paixão
Num surto psicótico
Fingiu para si uma dor que não sentia
E agora não sabe mais o que quer

Soube da história de uma amiga
Cujo namorado tinha tara por orientais
O namoro acabou
Porque ele puxou os olhos dela para o lado durante a transa

Tem também aquela velhinha
Que ficou dois dias soterrada sob escombros
E disse que ficou fazendo tricô para passar o tempo
Ficou com vergonha de aparecer na TV
Porque estava sem maquilagem

Desligou o aparelho
Viajou
Passou o dia enchendo os tubos
Escorregou na graxa que pingou da carne
E, por diversas vezes,
Tentou se levantar 
Sem sucesso

Optou por deitar-se 
Ali
E rir de si mesmo

De um Amigo com Quem me Identifico

cla?
cla  de sol?
ou de fa?
hahahah
ou apenas cla!!!!
ou clave, ou trave?
ou fá?
ou lá?
ou mi?
e se vc estivesse aqui?
ou la?
ou fa?
hahaha
enfim.....
just remeber
our nothing else

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Mañana Me Voy al Norte

Será que Darwin, quando pensou a Teoria da Evolução, considerou a combinação da chuva com a cerveja, a pizza, o refrigerante, a batata frita e a televisão?

Fiz um retiro para a praia com todo meu espírito aventureiro à flor da pele, sonhando com as trilhas ecológicas nível 2 e com o sol, mar, praia, calor. Vivi um pré-devaneio da consequente transformação de alguns tecidos adiposos em fibras musculares e da alvidez em um corpo moreno.

Buenas, o que posso dizer é que as nuvens negras me seguiram desde a fronteira e que o que pude obter foram 2 livros a mais nas gavetas da minha memória, 4 crônicas no meu currículo e 3kg acumulados na Faixa da Gaza.

Talvez o maior movimento tenha sido secar o lago que se formou no banheiro com o estouro do encanamento. E correr atrás das havaianas que saíram boiando pela casa. Se eu pudesse resumir minhas semi-férias em uma palavra, ela certamente seria ÁGUA.

* sou obrigada a relatar que enquanto eu escrevia sobre Darwin dois passarinhos caíram mortos do ninho bem do meu lado...saravá!


Frenesi

Frenesi

Bato 3 vezes. Alguém abre.

- Qual é a senha?

- Vejo morangos silvestres em campos de trigo.

Entro. Na escadaria que permite o acesso, várias pessoas estão deitadas. Outras, sentadas. Um rapaz com o nariz vermelho e roupas listradas atira beijos para uma loira com roupa cigana e peitos enormes que morde com vontade uma coxa de galinha, lambe os dedos e sorri pra ele.

Sigo. Avisto uma moça com os cabelos até a cintura. Com os olhos fechados, ela apalpa a parede do corredor. Sebe-se lá o que está procurando.

Na sala, há um show de acrobacias e dezenas de jovens estão no chão bebendo vinho e observando uma garota mover-se em torno de si. Parece que cheguei tarde. Onde estará ele...

A acrobata se aproxima de mim com o cálice e beija minha boca. Tomo o copo para mim e sigo ao jardim, onde outros tantos jogam baralho, coçam os narizes e gritam 'truco'.

Me distraio com as estrelas e, logo, retorno ao interior da casa. Penso no porquê da tristeza do pierrot e observo uma senhora envolvendo as pernas de um passante que tomba como um elefante. Ela agarra-o num frenesi.

Indiferente me dirijo ao toilet. Aí está. Empurrando um magrinho grisalho em direção à banhiera repleta de vômito. Ambos agarrados como fêmeas aos cabelos um do outro.

- Solta tu!

- Solta tu!

- Solta tu!

- Solta tu!

Brochante! Me retiro sem anunciar minha passagem. Me lanço nas escadas. Melhor é fumar um. Ele me busca, mas agora já era. Olhos de gato perdidos no meio da bichanada me acusam de jogo duplo e fico cansada dos jogos lascivos.

Recorro ao divã de um aposento e sou acordada pelos gemidos de um casal. Me recolho à minha insignificância para não interromper o ato e finjo que estou dormindo. Me masturbo. Gozo. E admiro o alto da minha bronze.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Dialética II

Não. Ele até que não era antipático. Ao contrário, o marido da enfermeira louca era até bastante solicito. Ofereceu carona para que buscássemos o lanche da tarde e uma bombona nova. 

Entrei no carro. Botei o cinto.

 - Pra que isso, guria? Não confia em mim? - disse ele apertando o botão e retirando o (meu) cinto.

Medo.

No caminho, fiquei um pouco constrangida com a teia de elogios que ele ergueu à minha pessoa seguida de 

 - Tu viu, né? Minha mulher não é ciumenta.

Mais essa agora...cortei.

 - A questão é que eu é que não gosto de interferir em relacionamentos alheios.

 - Claro...é...mas não to dizendo nada demais né...só que tu é uma mulher bonita e...

Parou o carro. (ain...help!) 

 - Só vou pegar a água aqui.

Baixou o (meu) vidro, e, se escorando por cima de mim, pôs-se a chamar o vendedor.

(Tá bom aí, queridinho?)

Seguimos e ele me conta como conheceu a esposa. Me fala que é mestre de obras (não confunda a obra do mestre Picasso com...), que está na cachaça desde de manhã (ah!) e que por pouco não correu todo mundo do set (oi?).

E lá vamos nós (outra vez). 

De 1 a 10, qual a probabilidade do ator do meu elenco ter tido um caso com a dona da casa?

Horas de desabafo depois, retornamos.

 - Conversamos melhor a sós mais tarde?

 - Bah, que pena! Mil coisas pra resolver no set...hehe

Escolhendo locações assim, viro PHD na arte do discurso. 

 

Dialética I

Talvez a enfermeira louca não estivesse esperando que sublocar sua moradia para o cinema significasse ver suas paredes cobertas de pó de café; seu quarto, de lixo, e sua mesinha da TV, de vermes. Prometemos que tudo voltaria ao normal ao fim da filmagem, mas já no segundo dia ela se recusou a nos deixar entrar.

Lá vou eu. Após 1h, consigo a liberação sem sequer imaginar que passaria o dia todo exercendo meu poder dialético. Sim. Ela queria atenção. Sim. Ela tinha muitas opiniões acerca de como a filmagem deveria estar sendo feita. Não. Ela não compreendia porque aqueles 'jovenzinhos' não ouviam o que ela tinha a dizer. Afinal, ela havia estudado enfermagem na África (uau!) e sabia muito melhor do que eles o que eles tinham que fazer ali.

Respiro fundo pra conter o riso.

 - Olha, Dona Efigênia, sabe como é, eles são muito jovens, impetuosos e arrogantes. Mas me conte mais (suspiro) tenho a certeza de que o diretor vai gostar de suas idéias (aham!). Fala pra mim que eu repasso tudo pra ele.

- Logo se vê que você entende mesmo do assunto. Veja bem, por exemplo, porque e menina fica cantando vestida, chorando dentro da banheira. Isso não é coisa de gente certa...

- É que Bárbara está deprimida, Dona Efigênia...

- Ah! mas vocês deveriam fazer uma comédia...ninguém gosta  dessas coisas tristes

E lá vamos nós. 

Passamos o dia todo conversando, inclusive durante o almoço e, depois, seguimos sentadas na cama que ela armou na banheira enquanto rodávamos no quarto. Já cansada, peço licença para providenciar o lanche da tarde e mais água pra equipe.

- Olha, menina! Aproveite que meu marido vai ter que sair e pegue uma carona!

Confesso que nem havia percebido a presença do cara. E até que não me pareceu uma má idéia, visto que, nessa produção independente, o responsável pelo transporte quase chorava toda vez que tínhamos que sair com o carro e pedia mais e mais gasolina.

- OK.

E eu que achei que minha dialética já havia atingido o ápice... 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Borracha en la Playa

Esta noite vi a lua de perto com o impulso da cápsula. Bebendo assim, posso acabar como a Estamira. 'Alô, alô, Terra chamando Exú'. Mas, pra não perder o costume, me atiro na beira e já rebato a ressaca com a 'caipa' que trouxe na leiteira da pousada (espero que os demais não queiram tomar café com leite quando acordarem).  

Dois cachorros disputam um tronco enorme e não dão sossego aos visitantes do quiosque, onde deito para fugir do sol e descubro um drink maravilhoso de rum, limão e manjericão que vai entrar pro hall da jacaroagem. Certamente. 

E os cuscos seguem latindo, arranhando a perna dos turistas no desespero pra que alguém atire o bagulho longe de novo. Cada um que passa perto é o próximo Cristo. Eu, já desde manhã cedo na praia, sou uma das que se diverte com a cena hilariante. O labrador percebe minha complacência e deita-se ao meu lado de barriga pra cima. 

Não sei porque os cachorros me perseguem. Nas areias uruguaias, vulcânicas gregas, nordestinas bucólicas. Dentro do carro, no banco do carona. Parece que o lance é comigo. Devem sacar minha simpatia "modesta". 

Pois é. Acho que serei obrigada a sair da minha inércia e exercitar meus bracinhos atirando o semi-tronco longe pro meu mais novo amigo aqui me trazê-lo de volta. Quem sabe assim ele não me paga mais um daikiri já que meu dinheiro acabou. Hic, hic! Fui! 






terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Receita de uma Divina Comédia

Crie uma  base 
À La Muhamed
Abra as janelas
E libere a mesa para os coquetéis

Receba sua homenagem
Erga o volume
Liberte seu clown
Num brinde à lissergia
E encha as taças com risadas

Derreta no tapete
Mas não deixe de posar para a foto
Perca o céu dentro de casa
Substitua os aplausos por estalar de dedos
E no dia seguinte 
Repare nos hematomas 
E retire a louça suja de dentro do armário


sábado, 19 de dezembro de 2009

Bizarrices de um Trabalho Sórdido ou Trabalhices de um Sarralho Bizórrido

Calculo que dormi 2h em 2 dias. Troco os cataventos e algodões doces pelo arame farpado e acordo de madrugada com medo de perder os origamis na chuva.

Os sabiás me brindam merda! 2 vezes. Fico na dúvida se é um desejo de sorte ou uma vingança em nome de todos os passarinhos que assassinei na infância. E, aliás,  sem entender porque a porta não fecha, também quase mato o gato. 

Me mandam quebrar a perna e acabo com uma espica no halux. E enquanto o quinto não segura a ovelha (que cena memorável!) e os risos ficam presos no nariz, os outros quatro me pedem em casamento. Será que a sordidez masculina começa aos 10? (Nossa que forte isso...mas combina com o título...)

De volta à civilização, busco baixar a adrenalina e sigo os conselhos da negra. Me dirijo ao centro em busca do senhor que vende lexotan a um real. Localizo-o com dificuldade em meio aos demais gritos de Fabricalcinha e Cortacabelo, mas finalmente o encontro. 

Quando chego mais perto, me deparo com abanadores made in China e descubro que são os leques que só tão um real. Só me resta a cachaça...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Pecados Capitais

Tinha preguiça de levantar da cama. Não sabia porque seus olhos pesavam tanto... E, num piscar, a porta da vizinha era uma massa folhada de doce de leite. Alguém sugeriu que ele apertasse a campainha e obtivesse o consentimento da pessoa que supostamente lavava a louça. Só que arrancar uma lasca e sair correndo foi muito mais gostoso. Se lambusou. Lambeu os dedos. Perguntou-se qual era o segredo pro lance não se esparramar no chão. 

Sentou-se à mesa do jantar da grande família, mas daquela gente só conhecia ela. Tocou-a por debaixo da mesa e logo pôs-se a comê-la. Para disfarçar, ela cortava pedaços da carne de cordeiro e aproveitava as pausas para levá-los à boca. Ninguém parecia perceber ou dar importância ao que estava acontecendo enquanto a mesa tremia. Todos seguiam degustando seus cuscuzes marroquinos, até que uma das taças caiu, derramando o vinho. 

Quando o velhinho da cabeceira levantou-se indignado e ameaçou-o com a bengala, sentiu o sangue subir à cabeça e, ainda com as calças abertas, virou a mesa e saiu. Andou pelas ruas exibindo toda a vaidade que lhe escapava pela braguilha.

A cabeça de cima não andava ajudando muito devido a problemas recorrentes de amnésia alcoólica.  Passou a invejar artistas, intelectuais e gourmets, surrupiou suas preciosas memórias e trancafiou-se no seu castelo. Não sabia porque seus olhos pesavam tanto...

  

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Carne de Pato

Acordou com ele lhe pedindo gelo. 

 - Hein?
 - É que...dormi com aquele Clorets que você me deu e... bem, ele grudou na fronha.
 - Ah!

Ela tentou não pensar que estava hospedada na casa de uma amiga. Afastou do seu pensamento a recordação do dia em que a anfitriã lhe afirmava que estava inaugurando o lençol novo, presente da mãe. Respirou fundo, dirigiu-se ao freezer, destacou alguns cubos e alcançou ao rapaz tatuado.

Tentou não achar patético vê-lo esfregar o travesseiro. Lembrou-se do show, da banda e de que ele tocava guitarra pra caralho. Quando ele entrou na sala puxando as costeletas, teve pena. Mas, ao perceber que ele arrancava pêlos da cabeça, dos braços, do peito, das coxas e das mãos não pôde conter o riso. (Será que ele dormiu com o chiclete ou refestelou-se numa cera depilatória? - pensou).

Constrangido, ignorou a gargalhada e perguntou se poderia tomar um banho. OK. Ela alcançou-lhe uma toalha e avaliou os estragos na roupa de cama. Quem é que disse que pedra de gelo funciona? A internet. Calculou os gastos com a lavanderia e balanceou os acontecimentos da noite. Sentiu raiva. Respirou fundo. Passou.

Ele devolveu a toalha, falou que estava com fome e avisou que era vegetariano. Não percebeu a ruga na testa da garota e ligou a televisão. Ela, não muito adepta ao futebol, perguntou-se quem era aquele time que jogava contra o PT. Sem saber a diferença entre bandeiras de partidos políticos e do Altético Mineiro, seguiu desinteressada até o banheiro.

Não conteve a supresa ao entrar no recinto molhado por todos os lados. Estava difícil de compreender como a pessoa tinha conseguido jogar água até mesmo nas paredes e no teto. Olhou para o paninho enroladinho na porta e, decidida, interrompeu o ápice dos dedilhados que o rapaz fazia no violão. Correu-o porta afora e disse que não dispunha de beringelas para o almoço. Ora!

Queria comer seu fígado, mas preferiu o restaurante de esquina e o prato do dia: pato ao molho de hortelã.




sábado, 21 de novembro de 2009

GALOCHAS DE BORRACHA não molham OS PÉS

Já vi Festivais de Rock que são exemplo de civilidade. Cangas estendidas no chão, galera se respeitando, um pelado que corre no meio das pessoas dando flicks. Tudo dentro da normalidade. 

Esses dias participei de um no anfiteatro de uma capital alegre. A princípio me supreendi com o nível europeu da coisa, apesar de a grama estar mais pro barro. (E do formato 'isopor ambulante' com que se vendia cerveja). 

Em algum momento percebi que não seria possível balançar o esqueleto em nome da boa música sem que o tiozinho bêbado e sem dentes se postasse na minha frente e tentasse me tirar pra dançar. Desisti e preferi conversar com a minha gelada (!). Até que ...  veio a hora dos patrocinadores. Mas que saco!

Primeiro, algum deles teve a idéia estúpida de promover sua marca lançando uma bola gigante e pesada nas nossas cabeças. Desse energético jamais beberei (a não ser quando eles distribuíram umas amostras ali). Sei que fugi o quanto pude daquele monstrengo cheio de ar, defendendo minha bebida com unhas e dentes. 

Enquanto isso, o trambolho rolou por aí, destruindo guarda-chuvas, derrubando velhinhos miopes  breacos, recebendo xingamentos e caindo em buracos dos quais só um mínimo de dez homens fortes conseguia reerguê-lo. Até que recolheram o elefante branco pra hora do parabéns (aniversário de uma rádio alternativa).

E aquele monte de promotor e radialista  entra no palco 'vestindo a camiseta'. Pior eram aquelas pilhas de banderinhas azuis e vermelhas com o símbolo da empresa flamulando a fim de representar a união dos dois times rivais da cidade. Que coisa mais ultrapassada e 'hooligan' essas referências a futebol. Quem é que ainda se importa com isso?

De repente, senti um ligeiro contentamento. Acho que foi porque as velinhas superpotentes do bolo ameaçaram queimar as bandeirolas vermelhas.  Seria hilário se isso tivesse acontecido, contanto que não fossem as azuis. 

Depois de horas de blá, blá, blá e 'no music' tudo ficou na santa paz e as bandas voltaram a tocar. A chuva aumentou. Alguns permaneceram firmes e fortes, outros correram pro teto VIP. Eu, com minhas galochas de borracha, olhei com desdém praquele povo desprevenido. Ha ha ha! Segui meus passos 'singing in the rain' com os pezinhos secos até escorregar e enlamaçar a butzen. Pelo menos a pizza e a espumante foram de graça ... será que isso justifica minha dor de cabeça?

sábado, 7 de novembro de 2009

Óbito

Quando tentei entrar e pronunciei o nome, obtive em resposta a pergunta: "óbito?". Não é de agora que a verdade soa vil e irreal. Na primeira cena do filme, os flocos de neve. No velório, as lágrimas da chuva. De um lado, o triste e incrédulo em depressão. Do outro, a esperança nunca morre. Fé em Jesus "amém!" digladiando com o Anticristo na minha cabeça. Pés que caminham na areia presos a correntes. Eu, luto. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Dias Felizes

Qualquer cheiro de cânfora é uma viagem nostálgica às massagens nos pés. Em segundos, vejo os malabares pirofágicos e sinto o conhaque na garganta. O filhote que me confunde com uma parede de escalada me remete àquele que encontrei numa caixa de papelão em tempos de Fórum Social Mundial. Nem tudo estava resolvido e nem era essa minha preocupação. Vida mais leve e mais doce. Tenho sonhado com dias felizes, com a piscina de plástico, com a vitrola portátil, com o mofo nas paredes coloridas, com o ranger do assoalho e com o coração cheio. Será por causa do meu vazio? Da picanha, da maminha ou do coxão de dentro?